MST invade fazendas de Ricardo Teixeira e de amigo de Temer

O MST reivindica que ela seja desapropriada e destinada à reforma.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocupou, na manhã desta terça-feira, as fazendas do coronel João Baptista Lima, amigo do presidente Michel Temer, do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, do ministro da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, Blairo Maggi, e do senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os terrenos são localizados, respectivamente, nos municípios de Duartina (SP), Piraí (RJ), Rondonópolis (MT) e Teresina (PI).

O grupo alega que as manifestações foram realizadas em terrenos ligados a pessoas que têm relação com esquemas de corrupção: "Os latifundiários que possuem estas áreas são acusados, no cumprimento de função pública, de atos de corrupção, como lavagem de dinheiro, favorecimento ilícito, estelionato e outros".

Os norte-americanos o acusam de fraude, lavagem de dinheiro e de receber propina para beneficiar empresas de marketing esportivo.

"MOTOSERRA DO ANO"

Outra fazenda ocupada pelo MST foi a SM2, do ministro Blairo Maggi, localizada na BR-163, em Rondonópolis, no Mato Grosso. O MST acusa o ministro de "estar envolvido em conjunto de denúncias de uso das legislaturas, como o de senador, para legislar em causa própria e para o fortalecimento das empresas de agronegócio". A nota dos sem-terra lembra que, em 2006, o Greenpeace concedeu a Maggi, dono de um império agropecuário, o prêmio "Motosserra do ano, por elevados danos ao meio ambiente".

No Piauí, o alvo dos sem-terra foi o senador e presidente do PP Ciro Nogueira. Cerca de mil pessoas invadiram a Fazenda Junco, em Teresina. Segundo o movimento, a área é improdutiva. O MST reivindica que ela seja desapropriada e destinada à reforma agrária. Nogueira foi denunciado pela PGR por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação premiada que entregou R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo a um assessor do senador em 2013.

Além das propriedades de políticos, o MST ocupou uma fazenda do grupo Nutriara no Paraná e bloquearam os acessos do Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão.

De acordo com Alexandre Conceição, membro da coordenação nacional do MST, as ocupações desta terça-feira fazem parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Os sem-terra reclamam da aprovação da medida provisória 759, que mudou regras da regularização fundiária no Brasil, e da aprovação da CPI da Funai e do Incra, que apontou supostas irregularidades em demarcação de terras para reforma agrária, indígenas e quilombolas.

Segundo o movimento, as duas medidas proporcionaram "ganhos ao grande capital atuante nas terras brasileiras, por meio do grilo de terras e anistia à dividas de grandes proprietários" e criminalizaram movimentos sociais que lutam pela distribuição do acesso à terra..

- Estamos mobilizados, para denunciar e lutar contra esse governo Temer que, junto a bancada ruralista, está loteando o Brasil para os estradeiros e desmontando a reforma agrária, privatizando os lotes e legalizando a grilagem de terra. Grilagem é crime, e eles querem legalizar o crime - disse Conceição, ao site do MST.

Fonte: Com informações do O Globo