As mudanças climáticas que o mundo inteiro tem enfrentado já estão prejudicando a saúde de crianças e apontam consequências para toda a vida de uma geração inteira, de acordo com a contagem regressiva da Lancet para a Saúde e Mudanças Climáticas (Lancet Countdown on Health and Climate Change). O estudo – que reúne pesquisas de 35 instituições de abrangência global, incluindo a Fiocruz - foi lançado no Brasil na última segunda-feira, 18, durante evento realizado na Universidade de São Paulo.

O relatório é uma análise anual que acompanha 41 indicadores-chave para avaliar o impacto das mudanças climáticas na saúde pública. Para isso, o documento aborda quatro áreas essenciais: vulnerabilidade a doenças transmitidas por mosquitos, carvão, poluição do ar e emissões dos setores da saúde.

Os estudos relatam extensos danos à saúde causados pelas mudanças climáticas e apontam consequências para toda a vida de crianças nascidas hoje. A medida que as temperaturas se elevam, os bebês são mais vulneráveis aos males da desnutrição e aumento nos preços dos alimentos. Além disso, as crianças são as que mais sofrerão com o aumento de doenças infecciosas, com um aumento de 11% na capacidade de um tipo de mosquito transmitir dengue no Brasil, como resultado das mudanças climáticas.

Exposição a incêndios florestais e o impacto da poluição do ar também são alguns dos pontos citados pelo documento. Durante a adolescência, essas crianças sofrerão com os níveis perigosos de poluição atmosférica ao ar livre, que contribuíram para 24 mil mortes prematuras só em 2016. Os eventos climáticos extremos também se intensificarão na idade adulta de pessoas nascidas hoje; no Brasil, desde 2001, 1,6 milhão de pessoas foram expostas a incêndios florestais.