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O juiz que queremos

A Suprema Corte ganhará um grande juiz, que alia o amor pelo direito a um currículo digno de mestres e doutores

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Por Liana Chaib

Desembargadora


Pelos imensos corredores dos Tribunais não faltam magistrados ilustres, exibindo grandes conquistas, títulos e distinções que se acumulam, como se a medida do juiz residisse na extensão do seu currículo, ou na profundidade do seu conhecimento.

Diante de tanta celeuma em torno do “notável saber jurídico”, vem-me à memória a notável lição que o grande Mestre do Universo nos deixou: “ainda que eu tenha o dom da profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.”( 1 Coríntios 13:2)

A medida de um grande magistrado não se afere apenas pelo “notável saber jurídico”. Sim, o conhecimento é importante, mas não é o prato que mais pesa na balança da deusa Thêmis. O saber sem o sentimento de justiça, sem a retidão, sem a tolerância, sem a humildade, apenas adorna a aparência e cultiva a vaidade. Ah, como dito em Eclesiastes 1, “vaidade de vaidade, tudo é vaidade”!

Sim, não necessitamos de juízes que se escondem sob uma bela e pomposa toga, salpicada de pompons; que se envaidecem de proferir julgamentos recheados de grande erudição, mas que soam como sinos que retinem, ecoando, sob a capa do conhecimento,  o amargor de uma injustiça disfarçada de justiça.

Não, não queremos magistrados que, para ceifar a justiça e fazer triunfar sua verdade, usa de toda sorte de sofisma e de enorme conhecimento, ao invés de simplesmente “dar a cada um o que é seu”.

Precisamos de juízes, sim, que inspirem a fé em um amanhã promissor; magistrados que despertem no ser humano a esperança de ver suas dores e mazelas restabelecidas pelo sentimento de justiça.

Precisamos, sim, de juízes que conseguem ver que, por trás daquelas pilhas de papéis e documentos, pairam sonhos, esperanças, histórias de vida, daqueles que anseiam pelo recebimento da tão acalentada justiça.

Shakespeare nos traz uma belíssima reflexão sobre o que realmente torna grande o ser humano. Alerta-nos que o homem pode se tornar grande ou pequeno pelas suas atitudes, que se agigantam ou se encolhem aos nossos olhos; por suas ações e reações, expectativas e frustrações. Conclui ele, em seu poema, “O Tamanho das Pessoas”, que não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É sua desmedida sensibilidade!

Parafraseando Shakespeare: não é o tamanho do currículo, a quantidade de artigos escritos, os mestrados ou doutorados realizados que tornam o magistrado um GRANDE JUIZ.  É sua sensibilidade sem tamanho!  É a busca pela sabedoria, nem sempre presa na letra fria da lei, mas no sentimento que todos temos e que tremula no peito de cada um de nós: a busca pela realização da justiça!

A Suprema Corte ganhará um grande juiz, que alia o amor pelo direito a um currículo digno de mestres e doutores; que soma a necessária experiência à força de sua juventude; e que reflete a sensibilidade dos justos e a lealdade dos grandes de espírito. 


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