Operador diz que tinha por ex-governador Cabral quase 'idolatria'

O operador prestou depoimento nesta segunda-feira (18)

Luiz Carlos Bezerra, ex-assessor de Sérgio Cabral (PMDB), e sua esposa, Claudia Bezerra, prestaram depoimento nesta segunda-feira (18) à 7ª Vara Federal Criminal do Rio, do juiz Marcelo Bretas. Bezerra confirmou que a empresa dele e da esposa, Claudia Bezerra, lavou cerca de R$ 1,2 milhão do esquema criminoso comandado pelo ex-governador.

Tanto Bezerra quanto a esposa disseram desconhecer a origem do dinheiro conseguido pelo ex-governador, que era um "salário informal" de Bezerra. O ex assessor disse ao magistrado que deveria ter perguntado a Cabral, mas talvez não o tenha feito por uma relação muito próxima.

"Sérgio Cabral sempre foi um amigo, tínhamos um relacionamento familiar. Chegava quase a idolatria, porque acompanhei de perto a trajetória dele. Tinha o maior respeito. Eu não sabia o que poderia ter de errado (com o recebimento de dinheiro em mãos como forma de salário). Tive minha parcela de culpa por não ter perguntado. Perdi um pouco a coisa do valor (ético)", afirmou.

Luiz Carlos Bezerra e Sérgio Cabral/GNews (Crédito: Reprodução/Globonews)
Luiz Carlos Bezerra e Sérgio Cabral/GNews (Crédito: Reprodução/Globonews)

No processo, o casal é acusado de lavar R$ 1,2 milhão em contratos fictícios através de uma empresa deles. O primeiro a ser ouvido pelo juiz Marcelo Bretas, titular da vara, foi o réu John O'Donell, cujas empresas teriam forjado as contratações da firma da família somente para gerar notas. Foram 109 pagamentos. Segundo O'Donell, nenhum serviço foi prestado.

No depoimento, ele disse que foi procurado por Bezerra em 2011. O assessor de Cabral levava o dinheiro em espécie ao empresário, que emitia a nota e transferia o montante após realizar os descontos. A intenção era dar uma aparência de legalidade ao valor.

Bezerra, que é amigo de infância do ex-governador, já havia dito que começou a trabalhar com ele na campanha de 1996, quando Cabral foi derrotado numa eleição para prefeito. E que voltou a trabalhar como operador na campanha de 2010 para reeleição de Cabral no governo do Estado.

Em cinco anos, ele diz ter movimentado R$ 37 milhões do grupo que, segundo o Ministerio Público Federal, era uma quadrilha liderada por Cabral.

Fonte: g1
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