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Pacientes moram no Hospital das Clínicas há mais de 30 anos

Pacientes moram no Hospital das Clínicas há mais de 30 anos

A porta de um dos quartos na Unidade de Terapia Semi-Intensiva, no 1? andar do pr?dio do Instituto de Ortopedia e Traumatismo do Hospital das Cl?nicas (HC), na Zona Oeste de S?o Paulo, ? aberta e uma funcion?ria diz "boa tarde" aos pacientes. Eliana e Paulo respondem em coro e depois riem para a rep?rter do G1.

Instalados em camas hospitalares motorizadas, cada uma em uma extremidade do quarto, os dois come?am a conversar como se estivessem em casa. E, de fato, est?o. Do lado dele, em frente ? cama, um computador com dois processadores, HD de 700 GB e 2 GB de mem?ria e um celular com jogos. Na estante em frente, entre os DVDs, a trilogia do ?Senhor dos An?is? e todos os filmes ?Matrix?, ?Indiana Jones? e ?Star Wars?. Na parede, cartazes de filmes e uma pintura de Darth Vader (vil?o de Star Wars).

Do lado dela, v?rios bibel?s, caixinhas, fotos, bijuterias e um beb? ?reborn?, boneco que parece real. ?Bianca?, diz Eliana em refer?ncia ao nome da boneca adquirida h? um ano em uma feira de artesanato. O quarto de uma mulher bem vaidosa.

Diferentemente dos outros pacientes do instituto, Eliana Zagui, de 33 anos, e Paulo Henrique Machado, de 40, moram no hospital. Ela vive no local desde os 2 anos e ele, desde 1 ano. Ambos precisam da ajuda de m?quinas para respirar, pois ficaram com seq?elas de poliomielite. Ele ficou parapl?gico e ela, tetrapl?gica.

Eliana conta que nasceu em uma fam?lia muito pobre, que at? hoje vive em Guariba, a 337 km de S?o Paulo. Os pais n?o tinham condi?es de pagar pelo tratamento e a deixaram no hospital. Paulo chegou ao local doente, ap?s a morte da m?e.

Nova casa

Mas eles conseguiram superar a dist?ncia dos pais e as limita?es causadas pela doen?a. Transformaram o ambiente in?spito do hospital em um quarto aconchegante, que batizaram de casa ? e que at? a sexta-feira (11) ainda mantinha a decora??o de Natal, com v?rios presentinhos e bonecos de neve pendurados na parede, pres?pio e ?rvore de Natal ? e desenvolveram o talento nato que possu?am encontrando prazer e fonte de renda.

Autodidata em inform?tica, Paulo conta que ganhou o primeiro computador em 1992. De l? para c?, incluindo tr?s m?quinas pifadas pelo caminho "devido ? curiosidade excessiva?, ele se transformou em ?webdesigner?, com v?rios sites vendidos. Agora, o desafio ? ainda maior. H? quatro anos ele descobriu o que queria mudar de profiss?o.

F? de cinema, principalmente de a??o, fic??o cient?fica e anima??o, ele descobriu no mundo dos efeitos especiais o que queria fazer. Montou ent?o um novo computador, o atual, apenas para que ele tivesse capacidade suficiente para rodar um programa de anima??o gr?fica. Orgulhoso, ele mostra um drag?o em movimento e um helic?ptero criados por ele. ?Quero trabalhar com isso. ? meu sonho. Sei que tenho muito o que aprender, mas quero muito?. Enquanto o sonho n?o se realiza, ele promete continuar alimentando a fonte de inspira??o, o cinema. Com menos restri?es f?sicas do que Eliana, Paulo tem autoriza??o para sair ?s vezes do hospital, podendo ficar longe das m?quinas de respira??o artificial por at? dez horas. ?Vou ao cinema. Quero ir pelo menos quatro vezes por m?s?.

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