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Padre é baleado ao sair de igreja em Lyon, França e atirador foge

Caso acontece dois dias depois do atentado dentro de Basílica de Notre Dame, em Nice. Polícia francesa prende terceiro suspeito de envolvimento no ataque a faca

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Um padre da Igreja Ortodoxa Grega foi baleado no momento que fechava as portas do templo, na tarde deste sábado, em Lyon, na França. De acordo com a polícia, o autor dos disparos fugiu antes que pudesse ser capturado pela corporação. O caso acontece há apenas poucos dias do ataque a faca que deixou três mortos em Nice, no Sul do país.

De acordo com o jornal Le Monde, o agressor atirou duas vezes contra o clérigo antes de fugir. A polícia informou que o estado de saúde do padre é grave e precisou receber atendimento de urgência no local. A área foi isolada rapidamente pela corporação e o Ministério do Interior emitiu um alerta sobre a operação.

Ainda não informação se o caso tem alguma ligação com o ataque em Nice nem se houve motivações religiosas. O ataque acontece em um momento em que a França vive uma tensão interna devido aos casos recentes de atentados envolvendo islamistas radicais. Há menos de um mês, o professor de Geografia e História Samuel Paty foi decapitado por um extremista após mostrar caricaturas do profeta Maomé durante uma aula.

Pessoas deixam homenagens em frente à Basílica de Notre Dame, em Nice, onde três pessoas foram mortas em um ataque a faca - Foto: VALERY HACHE / AFP

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que ainda não sabia de todas as circunstâncias do incidente, mas afirmou que está em direção à Paris para uma reunião de emergência

— Ainda não tenho informações específicas sobre as circunstâncias. Preciso lhes dizer que vocês devem contar com toda a determinação do governo para permitir que cada um e todos pratiquem o seu culto em total segurança e em total liberdade. A nossa vontade é forte: a nossa determinação não se debilitará — afirmou.

Segundo o jornal Le Figaro, o padre foi identificado como Nicolas K., de 52 ans. Ele é pai de três filhos e foi atingido no abdômen. .

Nos últimos dias, o governo de Emmanuel Macron intensifica ainda mais seus esforços contra possíveis novo atentados terroristas. Neste sábado, a polícia informou que uma terceira pessoa foi presa por suspeita de envolvimento no ataque em Nice.

Na quinta-feira, um homem de 21 anos matou a facadas três pessoas dentro da Basílica de Notre-Dame, que fica em uma importante via de Nice. Entre os mortos estava a brasileira Simone Barreto Silva, que morava no país havia quase 30 anos. O agressor foi identificado como o tunisiano Brahim Aouissaoui. Segundo a prefeitura de Nice, ele havia gritado "Allahu  Akbar" ("Alá é maior") repetidamente até ser baleado e preso após o ataque. 

A segunda prisão ocorreu ainda na quinta-feira. Um homem de 47 anos foi detido depois ter sido visto ao lado do autor do atentado em imagens de câmeras de segurança da cidade. Aouissaoui também está preso, mas permanece sob custódia no hospital, em estado grave.

Na noite de sexta-feira, durante uma operação de buscas na residência do segundo suspeito, mais uma pessoa foi detida. O terceiro preso é um homem de 33 anos cuja identidade ainda não foi revelada. A polícia tenta apurar qual o papel dele no caso.

Segurança reforçada em escolas e igrejas

O autor do atentado deixou a Tunísia em 14 de setembro e chegou à Europa no dia 20 daquele mês, em um dos barcos de imigrantes que costumam atracar na ilha italiana de Lampedusa. De lá, ele foi para a cidade italiana de Bari em 9 de outubro. Ele chegou a Nice de trem na quinta-feira, com um documento emitido pela Cruz Vermelha italiana, e trocou de roupa na estação ferroviária antes de se dirigir para a basílica, a 400 metros de distância. Ele ainda ligou para a família quando estava diante da igreja, momentos antes do atentado. A Tunísia informou que, no país, ele não era fichado como militante radical.

Neste sábado, Macron reforçou a segurança em locais de cultos religiosos e escolas, enquanto seus ministros alertaram que outros ataques extremistas podem acontecer. 

O atentado em Nice, no dia do feriado muçulmano que comemora o aniversário do profeta Maomé, aconteceu cerca de duas semanas depois de um outro ataque islamista na França. No dia 16 de outubro, o professor de Geografia e História Samuel Paty foi decapitado por um terrorista islâmico de origem chechena em Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris. Paty havia mostrado caricaturas de Maomé publicadas pela revista satírica Charlie Hebdo durante uma aula sobre liberdade de expressão — o uso de imagens do líder religioso é considerado uma blasfêmia por seguidores da religião.

Desde então, Macron vem adotando uma retórica mais dura contra o islamismo radical no país, o que chegou a gerar revolta em outros países de maioria muçulmana, além de aumentar as tensões diplomáticas com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Para aliviar os atritos, uma entrevista com Macron na rede de TV Al Jazeera, na qual ele aborda algumas dessas tensões,  foi ao ar neste sábado.Segundo pessoas próximas a ele, ao se dirigir diretamente ao público muçulmano, Macron tenta se opor ao que vê como uma interpretação errônea de suas recentes declarações sobre o Islã e explicar o modelo secularista muitas vezes incompreendido da França.

O mandatário também fez uma publicação em árabe no Twiter afirmando não ter "problemas com nenhuma religião" e que todos os credos "são praticados livremente" no país.

"Ao contrário de muito do que tenho ouvido e visto nas redes sociais nos últimos dias, nosso país não tem problemas com nenhuma religião. Todas essas religiões são praticadas livremente na nossa terra. Não há estigmatização: a França está comprometida com a paz e com a convivência", escreveu.

Macron também conversou com o Papa Francisco na sexta-feira, disse o gabinete do presidente, e discutiu a importância da liberdade de expressão e do diálogo entre as religiões.

— Ele afirmou que continuaria a lutar contra o extremismo para que todos os franceses pudessem expressar sua fé em paz e sem medo — disse um porta-voz do presidente.

Investigação italiana

Promotores na cidade siciliana de Palermo, na Itália, estão investigando a passagem do autor do atentado em Lampedusa, incluindo quais pessoas ele teria entrado em contato, segundo fontes judiciais informaram à agência Reuters. Os investigadores apuram a possibilidade de que o suspeito tenha passado também pela cidade italiana de Bari no início de outubro antes de partir para Palermo, disseram.

O irmão do autor do atentado, Yassine, que mora em Sfax na Tunísia, disse à AFP que ninguém informação sobre Aouissaoui até quarta-feira passada, quando ele ligou para a família. 

Contexto: Macron declara guerra ao ‘separatismo islâmico’ e é criticado

— Ele nos disse que foi para a França porque era mais fácil encontrar trabalho lá — disse Yassine, que explicou que o irmão se voltou para a religião há dois anos.


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