O Piauí confirmou o primeiro caso de varíola dos macacos no estadoO anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (04) pelo superintendente de Atenção à Saúde e Municípios da Secretaria de Saúde do Estado do Piauí (Sesapi),  Herlon Guimarães, durante coletiva de imprensa. Trata-se de homem de 46 anos, morador de Batalha, que teve contato com estrangeiros. A Sesapi ainda aguarda o resultado dos exames laboratoriais de outros cinco casos em investigação.

Segundo Herlon Guimarães, o paciente já recebeu alta médica e pessoas que tiveram contato com ele saíram do isolamento domiciliar. O homem apresentou os primeiros sintomas, como dor de cabeça e lesões na pele, no dia 3 de julho. Ele foi monitorado por uma equipe médica e permaneceu em isolamento por 21 dias. 

 

O material do paciente foi analisado pelo Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz, nomeado Laboratório de Referência do Ministério da Saúde (MS) em monkeypox, vírus que causa a varíola dos macacos. "O paciente já está recuperado e resta agora esperar o resultado dos demais exames. A doença tem uma taxa de mortalidade muito baixa, mas nós temos sim que tomar cuidado com ela”, comunicou Herlon Guimarães.

A Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa) da Sesapi está preparando um protocolo para auxiliar os 224 municípios no piauienses no enfrentamento à doença que já chegou em mais de dez estados brasileiros. O objetivo é reunir orientações do Ministério da Saúde e estabelecer normas de atendimento de casos suspeitos, além de instruções sobre coleta e encaminhamento de materiais aos laboratórios.

“Há um plano para que os órgãos públicos e privados tomem providências, mas já pedimos para que as pessoas não se desesperem. Já existe uma programação por parte da Secretaria de Saúde de conversar, a partir da próxima semana, com todos os municípios”, completa Herlon.

O superintendente de atenção à saúde da Sesapi fez um alerta para que a doença não seja estigmatizada de forma preconceituosa, como aconteceu no passado com o HIV. Ao redor do mundo, autoridades de saúde observam que o vírus tem se espalhado mais entre homens que fazem sexo com homens, mas médicos e especialistas ressaltam que qualquer pessoa, de qualquer idade ou gênero, pode ser infectada. 

“A doença iniciou com um estigma que já não mais é orientado. Nós já temos casos diagnosticados [no Brasil], até mesmo em crianças, e é preciso ter total cuidado com a desinformação. O que nós sabemos é que a higiene pessoal é extremamente importante”, falou.

A varíola dos macacos está associada à transmissão por contato direto e, eventualmente, por via aérea. A doença causa sintomas semelhantes aos da varíola. Ela começa com febre, dor de cabeça, dores musculares, exaustão e inchaço dos linfonodos.

Uma erupção geralmente se desenvolve de 1 a 3 dias após o início da febre, aparecendo pela primeira vez no rosto e se espalhando para outras partes do corpo, incluindo mãos e pés. Em alguns casos, pode ser fatal, embora seja tipicamente mais suave do que a varíola.

Herlon Guimarães, superintendente de Atenção à Saude e Municípios da Sesapi - Foto: Ananda Soares/ Meio NorteHerlon Guimarães, superintendente de Atenção à Saude e Municípios da Sesapi - Foto: Ananda Soares/ Meio Norte

Sesapi investiga cinco casos suspeitos 

O Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), agora investiga cinco casos suspeitos de Monkeypox (varíola dos macacos) no Piauí. No Brasil os casos confirmados passam de mil. 

As cidades com casos notificados (9) foram Parnaíba, Esperantina, União, Curralinhos, Hugo Napoleão, Batalha (caso confirmado) e Teresina. Dos casos notificados, apenas três foram descartados.

A principal característica da monkeypox é o surgimento de lesões como se fossem bolhas na pele. Outros sintomas que acompanham a doença são febre, linfonodos inchados, dores musculares, dor nas costas e fraqueza.  A transmissão pode acontecer de forma direta e indireta  por meio de gotículas de saliva de pessoas infectadas, pelo contato com as lesões que aparecem na pele, por meio esperma, sangue e utensílios contaminados. 

“A higiene pessoal é extremamente importante na prevenção da Monkeypox, a utilização de máscaras e a lavagem das mãos também ajudam a evitar o contato direto com a varíola dos macacos. O vírus também pode ser adquirido a partir do contato com objetos, por exemplo, roupas de cama; toalhas de banho; onde essas pessoas [contaminadas] deitam, sentam, encostam; nos utensílios domésticos, por isso os cuidados na limpeza desses materiais também é de suma necessidade”, explica o superintende.

Primeiro caso de varíola dos macacos é confirmado no Norte do Piauí Primeiro caso de varíola dos macacos é confirmado no Norte do Piauí 

Para indivíduos com Monkeypox, as precauções de isolamento, seja em estabelecimentos de saúde ou no domicílio, devem ser mantidas até que todas as lesões tenham sido resolvidas e uma nova camada de pele tenha se formado. As orientações do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde é que estes pacientes fiquem em isolados por pelo menos 21 dias.