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Piauiense está entre os desaparecidos após rompimento de barragem em Brumadinho

A vítima estava apenas com três meses que trabalhava na empresa.

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As tentativas de escapar da enxurrada de rejeitos que descia ladeira abaixo atingindo a área administrativa, logo após o rompimento da Barragem 1 da Mina Feijão é uma das cenas mais impressionantes dessa que já é a maior tragédia ambiental do país.

Além dos funcionários, moradores da comunidade da Vila Ferteco também foram atingidos. A barragem pertence a mineradora Vale e está localizada em Brumadinho, na zona metropolitana de Belo Horizonte. Até ontem, eram 58 mortos e centenas de desaparecidos.

O piauiense natural da cidade de Guadalupe, Edson Rodrigues dos Santos, de 45 anos, é um dos desaparecidos no rompimento da barragem. O nome dele apareceu na ultima lista divulgada ontem a noite pela mineradora. O piauiense estava trabalhando na Vale havia apenas três meses. Segundo informações, a mulher dele passou mal e está internada em um hospital de Belo Horizonte. Edson é filho do senhor Passos, um dos comerciantes mais tradicionais do bairro Cruzeta.

A jornalista Cinthia Lages conversou com Rafael Amorim, que é administrador de empresas e trabalhou durante cinco anos na Vale, exatamente em Brumadinho. Assim como ele o pai também trabalhou durante 38 anos na empresa. Mineiro, mas mora em Teresina, Rafael tem acompanhado a todo tempo a situação de resgate.

“Eu fiquei sabendo através da minha mãe, ela me ligou quase meio dia dizendo que havia o rompimento da barragem, eu senti um arrepio porque eu sabia que o estrago ia ser muito grande, pelo tempo do rejeito do mineiro e por onde ele ia passar”, declarou.

Rafael trabalhou duas vezes na Vale, na primeira entre 2005 e 2009, foram 5 anos no setor de almoxarifado. O pai dele Valter Amorim ficou 38 anos no setor de contabilidade da Vale, em Brumadinho. Rafael tem uma foto tirada no dia em que Valter foi homenageado pelo tempo de serviço na mineradora. Muitos amigos dele estão desaparecidos.

“É uma sensação horrível, você sente um vazio, só quando eu voltar lá que eu vou sentir o que realmente aconteceu , mas fica uma sensação estranha porque a pessoa está desaparecida e você não sabe o que aconteceu”, afirmou.

A esposa de Rafael, Tainá, morou durante cinco anos em Brumadinho, a fisioterapeuta também está chocada com a tragédia, amigos próximos do casal estão entre os desaparecidos. Pela televisão, ela reconhece ex-pacientes da época em que trabalhava na clínica da prefeitura.

“Trabalhei lá durante quatro anos e hoje vendo meus pacientes dando entrevista para o jornal com entes queridos desaparecidos é muito triste, muito aterrorizante, alguns estão sob efeitos de remédio para amenizar o sofrimento, fico aliviada sabendo que meu marido saiu e que está tudo bem, mas muito triste com o que aconteceu”, disse.


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