Creche: Número de mortes de crianças sobe para sete em Minas

Delegada disse que conduta da professora Helley Abreu foi heroica


A assessoria de comunicação do Hospital Santa Casa de Montes Claros confirmou, na tarde desta sexta-feira (6), a morte de mais duas crianças, ambas de 4 anos, vítimas do ataque à creche Elas estavam internadas em estado grave na instituição.

Com a nova atualização, o número de crianças mortas sobe para sete.

Cecília Davina Gonçalves Dias teve a morte confirmada por volta das 13h15; Yasmin Medeiros Salvino às 14h21.

Uma das vítimas do incêndio criminoso em uma creche em Janaúba, no Norte de Minas Gerais, Helley Abreu Batista entrou em luta corporal com o autor do crime para tentar salvar seus alunos. “A conduta dela foi heroica, ela mostrou que estava ali realmente pra proteger todas aquelas crianças”, disse o delegado Bruno Fernandes Barbosa sobre a educadora, de 43 anos.

Ela teve 90% do corpo queimado e morreu no hospital cerca onze horas depois da tragédia. Além de Helley, cinco crianças morreram depois que Damião Soares dos Santos, de 50 anos, ateou fogo ao seu próprio corpo e ao corpo de alunos do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente. Santos morreu no hospital, poucas horas após o crime.

Entre os colegas de profissão, Helley é definida como uma guerreira, que sempre cuidou dos seus alunos com muita dedicação. “Ela era muito cativante, alegre e conseguia envolver cada aluno com seu olhar peculiar. Ser professor é ser Helley Abreu”, disse Eliane Faria, pedagoga que trabalhou como supervisora em uma escola onde a Helley lecionou, em 2016.

A professora era casada e deixa três filhos, de 1, 11 e 13 anos. “Ela alegre, de bem com a vida. Cheia de fé e esperança. Era isso que tinha, muita esperança. Estou desolada como amiga e colega de profissão. Helley lutou até o fim”, conta Elisdete Souza da Silva, pedagoga.

“Minha menina salvou tanto anjo, não é possível que os anjos não vêm salvar ela”. Durante todo o dia, dona Valda Terezinha de Abreu, 66, mãe da professora Heley de Abreu Silva Batista, 43, acreditava e rezava, reunindo todas as suas forças. “Estamos em corrente de oração e colocando tudo nas mãos de Deus. Deus é vivo, Ele não é morto não”. Mas a noite desta quinta (5) levou consigo as esperanças de recuperação da professora, que teve 100% do corpo queimado na tragédia da creche Gente Inocente, em Janaúba. 

Na tentativa de salvar suas crianças, Heley se feriu gravemente. Com o próprio corpo em chamas, a professora tentava abafar o fogo ao mesmo tempo em que tirava os alunos pela janela – o vigia havia fechado a porta. Na tarde desta quinta-feira (5), o Corpo de Bombeiros chegou a confirmar o óbito de Heley, mas recuou. Corajosa, ela lutou até o fim.

“Toda vida ela foi assim, uma mulher que não tem medo de nada. Ela enfrenta qualquer parada. É da natureza dela”, conta a mãe. “Ela foi uma heroína de ter salvado essas crianças. Ela estava queimada e insistia em tirar as crianças. Acho que ela salvou a maioria. É a força que Deus deu para ela, de ter essa coragem. Só Deus mesmo, sabe. Eu nem sei”.

 Helley Abreu Batista foi uma das vítimas de incêndio
Helley Abreu Batista foi uma das vítimas de incêndio


 VÍTIMAS

Cinco crianças de 4 anos morreram no ataque à creche. O autor, que trabalhava como vigia da instituição, também morreu.

A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 e 60 pessoas. Ele tirou um galão da mochila, jogou álcool nas crianças e ateou fogo. Logo as chamas se espalharam por outras salas. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem.

Segundo o Instituto Médico-Legal da cidade, morreram no ataque:

-Ana Clara Ferreira Silva, 4 anos

-Luiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anos

-Juan Pablo Cruz dos Santos, 4 anos

-Juan Miguel Soares Silva, 4 anos

-Renan Nicolas Santos, 4 anos

-Helley Abreu Batista, professora, 43 anos

Vigia ateou fogo dentro de creche
Vigia ateou fogo dentro de creche


AUTOR DO ATAQUE

De acordo com a prefeitura, Damião Soares dos Santos era funcionário efetivo desde 2008. Ele ficou de férias de julho a agosto e, ao retornar ao trabalho, no mês de setembro, alegou problema de saúde e foi afastado.

Ainda segundo a prefeitura, Damião foi à creche na manhã desta quinta entregar o atestado médico e cometeu o crime. A prefeitura não informou qual era o problema de saúde alegado pelo funcionário.

O delegado Bruno Fernandes Barbosa informou que ele entrou na creche de mochila, sem tirar o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha. A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 e 60 pessoas. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem. Uma professora tentou conter a ação de Damião e chegou a lutar com ele.


Vigia premeditou crime em creche
Vigia premeditou crime em creche


Fonte: G1
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