Aécio diz que nem em pesadelo poderia imaginar decisão do STF

Tucano conversou com aliados por telefone após decisão do Supremo

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse estar "chocado" com a decisão tomada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de seu afastamento do Senado, impor a ele recolhimento noturno e ainda a aprenssäo de seu passaporte. 

Minutos antes da conclusão do julgamento, Neves deixou o plenário do Senado em direção à sua residência, no lago sul, região nobre de Brasília.

Durante a noite, ele conversou com aliados por telefone e tambem recebeu algumas visitas. "Nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar uma situação dessas", disse tucano. 

Logo após terem sido informados da decisão do STF, um grupo senadores tucanos se reuniu na liderança da sigla. Na conversa, decidiram alinhar um discurso no sentido de cobrar que o plenário do Senado dê aval ao resultado do julgamento.

Tucanos avaliam que o caso exige atitude diferente da adotada pela Casa e pelo partido em maio, quando o Supremo decidiu afastar Aécio do mandato.

Senadores do PSDB têm esperança de que o plenário do Senado possa reverter a decisão da Justiça.

Embora venham defendendo que o plenário do Senado se posicione sobre o caso Aécio, tucanos têm repetido que não se trata de uma reação de defesa do senador. Mas reforçam o discurso de que se trata de uma ameaça à Constituição.

Acham que notificação ainda deve demorar, mas estão convencidos de que há chance de reversão no plenário. E dizem que não há motivo pra ele renunciar à presidência do partido (seria admissão de culpa, não há fato novo). "O Supremo extrapolou a interpretação da Constituição. É uma teratologia patente o que se fez ontem. Aplicou-se sanções que não estão previstas", disse o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB).

"Podemos aproveitar essa oportunidade, e acho que é oportuno sim, e fazer um debate sobre isso. Vamos incluir na Constituição a possibilidade de afastamento temporário de mandatários, vamos ampliar as possibilidades de restrição de liberdade, vamos ampliar as possibilidades previstas na Constituição de prisão de parlamentar... Tudo isso é possível e talvez seja até necessário, mas hoje não tem essa previsão", declarou.

Cássio Cunha Lima disse ainda ter conversado com Aécio, quem disse estar "perplexo" com a situação. "Mas ele mantém a serenidade e a confiança na Justiça, nas instituições e mantém, sobretudo, sua crença no texto Constitucional", disse.

Na avaliação de aliados, o novo desdobramento do caso de Aécio não deve reacender o debate sobre sua renúncia à presidência nacional do PSDB. O mineiro está licenciado do cargo desde maio, quando foi afastado do mandato pelo STF pela primeira vez. Uma possível saída definitiva dele deve ser evitada porque seria vista como "admissão de culpa".

O presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), está em viagem ao exterior e chega nesta quarta-feira (27) ao Brasil. Ele deve se reunir com tucanos para discutir novos desdobramentos do caso na legenda.




Fonte: Folha
logomarca do portal meionorte..com