Ex-assessor de Cabral chora durante depoimento e pede perdão a juiz

Ele foi preso em novembro do ano passado na Operação Calicute

O ex-assessor do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, Wagner Jordão Garcia, chorou ao prestar depoimento nesta quinta-feira (4) ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Apontado como braço direito de Cabral em esquema de corrupção da Secretaria de Obras, ele pediu perdão ao magistrado e, também, que fosse autorizado a cumprir prisão domiciliar.

Garcia, que foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Calicute, foi ouvido nesta manhã pelo juiz Marcelo Bretas. Outros sete réus serão ouvidos ao longo do dia. Ele admitiu que fazia recebimento de dinheiro de propina, chamada de “taxa de oxigênio” dentro do esquema, equivalente a 1% do valor das obras. Mas afirmou nunca ter partilhado de vantagens indevidas.

Ele afirmou que trabalhava como uma espécie de "embaixador", assessor das prefeituras do interior para ajudar a resolver pendências burocráticas no governo do estado e que tinha essa função de despachante.

"Era um office boy de luxo. O Hudson Braga [ex-secretário estadual de Obras], em 2010, me apresentou à Carioca Engenharia e me pediu para pegar uns projetos e me entregou um envelope fechado para levar", contou Garcia. Ele afirmou que pensava transportar contratos, não dinheiro.

Wagner Garcia contou ainda que Braga tinha o temperamento difícil e que por várias vezes humilhou servidores e empresários com seu jeito truculento. E que a partir daí, começou a ouvir buchichos sobre recebimento de propina. Depois de uma troca de e-mails com Alex Sardinha, da Oriente, disse ter tido certeza da existência da "taxa de oxigênio".

Wagner Jordão Garcia
Wagner Jordão Garcia


"Foi quando minha mãe adoeceu e morreu e aproveitei para me desvencilhar da secretaria. Fiquei afastado cuidando da minha mãe. Quando voltei, em meados de 2014, pedi ao Pezão uma outra colocação. Mas gosto de política e queria voltar. Aí, Afonso Monerat me procurou e disse que eu ia trabalhar na campanha, junto com Hudson, e eu não queria", disse Garcia.

O réu disse ainda que não nega ter recolhido dinheiro de propina, mas que nunca viu efetivamente o dinheiro. Ele negou que cobrasse propina dos empresários. Disse que apenas ligava para combinar a entrega dos envelopes, sempre lacrados.

Garcia também negou que e-mails que citam a expressão "parrilla uruguaia" se tratasse de sua fuga para o Uruguai. "Estava com viagem marcada para São Paulo, onde ia ver uma feira de automóveis, e minha mulher, uma de confecção. Minha filha que estava em Petrópolis também ia, mas ligou dizendo que o cachorro estava doente. Então, combinei de ir pra lá, levando R$ 22 mil para a viagem delas é para pagar despesas de Petrópolis. Não estava fugindo".

Ao final do depoimento, Garcia chorou muito ao pedir que o juiz lhe concedesse prisão domiciliar. Embora dissesse que reconhecia ter cometido um crime, Marcelo Bretas considerou que o réu em momento algum confessou o crime e encerrou o interrogatório.

Fonte: G1