Gilmar Mendes suspende depoimento de Aécio Neves à PF

O interrogatório do senador foi suspenso por ao menos 48 horas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por ao menos 48 horas o interrogatório do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que seria realizado nesta quarta-feira (26), no inquérito em que o parlamentar é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, suspeito de participar em um esquema de corrupção em Furnas, estatal do setor elétrico.

A defesa de Aécio Neves havia pedido a suspensão do depoimento para que o parlamentar pudesse ter acesso ao que foi dito por outras testemunhas já ouvidas no processo. A Polícia Federal defendia, como estratégia de investigação, que o senador fosse interrogado antes de tomar conhecimento sobre outros depoimentos colhidos no inquérito.

“É direito do investigado tomar conhecimento dos depoimentos já colhidos no curso do inquérito, os quais devem ser imediatamente entranhados aos autos”, escreveu Gilmar Mendes, determinando que todos os depoimentos já colhidos sejam juntados aos autos do processo, que são públicos.

Mendes não marcou nova data para que Aécio seja ouvido. O senador é alvo de outros seis inquéritos criminais no Supremo, cinco dos quais foram abertos no início do mês pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF.


Esquema em Furnas

As suspeitas contra o tucano são embasadas nos depoimentos prestados por Delcídio do Amaral no âmbito do acordo de colaboração do ex-senador com a força-tarefa da Operação Lava Jato. As informações de Delcídio confirmam versão contada anteriormente pelo doleiro Alberto Youssef e traz detalhes sobre o envolvimento de Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas indicado por Aécio, e da irmã do presidente do PSDB, Andréa Neves, no esquema junto à estatal de energia.

Soma-se a isso revelações do empresário Fernando Antônio Guimarães Hourneaux de Moura, ex-aliado de Dirceu. Segundo Moura, Dirceu teria decidido, em 2005, apoiar a manutenção de Dimas Toledo no cargo de diretor de Engenharia de Furnas pois essa fora a única indicação pessoal que Aécio fez ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O empresário então teria se encontrado com Dimas para transmitir o apoio de Dirceu, no que teria sido informado que "o diretório estadual do PT em São Paulo não precisaria se preocupar, não precisando nem aparecer no Rio de Janeiro, sede de Furnas, pois 1/3 iria para o PT de São Paulo, 1/3 para o PT Nacional e 1/3 para Aécio Neves", conforme transcrição do depoimento de Moura.

Delcídio ainda teria afirmado aos procuradores que "sem dúvida" Aécio Neves recebeu propina no esquema de corrupção em Furnas . O delator e ex-líder do governo Dilma no Senado disse ainda que o esquema na estatal de energia era semelhante ao da Petrobras, envolvendo inclusive as mesmas empreiteiras.

Fonte: ig