Joaquim Barbosa: 'Em nenhum paísTemer teria permanecido no cargo'

'Brasil entrou numa fase de instabilidade crônica', afirmou ele

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou que o país foi "sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos" e que em "nenhum país do mundo" Temer teria permanecido no cargo após ter sido acusado de praticar crimes graves.

"Nosso país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo um chefe de governo permaneceria um dia sequer no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer. O Brasil entrou numa fase de instabilidade crônica, da qual talvez só saia em 2018 [com as eleições]", afirmou em entrevista ao jornal "Valor Econômico",

As declarações foram dadas no momento de expectativa quanto a uma possível nova denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Temer.

Na entrevista, Joaquim Barbosa voltou a criticar o impeachment que, há um ano, tirou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do poder. Segundo ele, o processo foi "controverso e patético".

"Eles instauraram no Brasil a ordem jurídica deles, e não a das nossas instituições. O Brasil teve um processo de impeachment controverso e patético e o mundo inteiro assistiu. A sequência daquele impeachment é o que estamos vendo. . Não há parâmetro de comparação entre a gravidade dos fatos. Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência", criticou

Joaquim Barbosa disse ainda que essa "balbúrdia institucional que se instalou no Brasil" manchou a imagem do país internacionalmente e é a razão de o país ter sido ignorado por líderes que recentemente passaram pela América do Sul. como os primeiros-ministros alemão, canadense e israelense, Angela Merkel, Justin Trudeau e Benjamin Netanyahu, respectivamente.

"O Brasil passa por um retrocesso institucional que se reflete em sua imagem externa. É um país incontornável, mas que está impedido de exercer seu papel internacional por força da conjuntura triste pela qual passamos", disse.

O ex-ministro disse acreditar que os brasileiros já não saem às ruas para protestar porque "estão cansados" da instabilidade e das manipulações "indecentes" dos políticos. Porém, a principal razão é que eles estão muito ocupados tentando "sobreviver".

Joaquim Barbosa declarou ser a favor das reformas propostas pelo governo Temer, mas disse ser "muito grave que estejam sendo conduzidas por um governo que não foi respaldado pelo voto". "São reformas importantes, talvez não com essa visão ultraliberal que se quer implantar, que mexem no cerne do pacto social", disse.

Joaquim Barbosa declarou ser a favor das reformas propostas pelo governo Temer, mas disse ser "muito grave que estejam sendo conduzidas por um governo que não foi respaldado pelo voto".  "São reformas importantes, talvez não com essa visão ultraliberal que se quer implantar, que mexem no cerne do pacto social", disse. 

Quarto colocado nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência nas eleições do ano que vem e até hoje considerado símbolo do combate a corrupção no Brasil --pela sua atuação como relator do julgamento do mensalão- , Joaquim Barbosa negou mais uma vez que será candidato à Presidência da República no ano que vem, apesar da sua aproximação com a Rede, de Marina Silva.

Na entrevista, ele falou de eleições, disse que Lula não deveria se candidatar porque isso "vai rachar ainda mais o país". Segundo ele, "a turma de Curitiba" está motivada a adiantar processos para que ele não possa se candidatar. "Já está em idade de usufruir da vida e do dinheiro que ganhou com suas palestras. Só que o estão empurrando para ser candidato, com essa cruzada que o coloca contra a parede. É um ódio irracional esse que apareceu no país", disse.

Sobre reforma política, manifestou-se favorável ao voto distrital, seja ele puro ou misto, e se mostrou contrário às propostas de parlamentarismo, dizendo que a ideia é de "gente sem escrúpulos'. 

Essa gente é tão sem escrúpulo que vai tentar impor o parlamentarismo para angariar a perpetuação no poder e se proteger das investigações. Esse é o plano", finalizou. 


























Fonte: Uol