Prefeitura de Porto Alegre irá parcelar salários a partir de junho

Busatto diz que não há outra alternativa ao parcelamento.

Salários de servidores de Porto Alegre serão parcelados a partir de junho, afirmou nesta segunda-feira (29) o secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto. Em entrevista ao programa Jornal do Almoço, da RBS TV, ele disse que "vão ser priorizados aqueles que ganham menos" para os pagamentos integrais.

O anúncio não foi bem recebido pelo Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). "O prefeito diz que a prefeitura não tem recursos, mas isso para nós é uma falácia", reclama o diretor Alberto Terres.

"A gente ouve e entende a questão dos municipários, mas, no ano passado, já não tinha dinheiro. As obras da Copa foram paralisadas, o 13º do funcionalismo municipal não foi pago em dia porque não havia dinheiro", acrescentou o secretário.

Busatto diz que não há outra alternativa ao parcelamento. Segundo ele, a prefeitura estima um prazo de dois anos para que essa situação seja revertida.

O secretário salientou que os servidores que recebem salários mais baixos correm menos riscos de serem atingidos.

"Em junho a gente vai ter recurso para pagar quase a totalidade. Os que ganham mais têm condições de aguentar um pouco mais", entende.

No mesmo dia em que o secretário confirmou o parcelamento de salários, uma reunião na Câmara de Vereadores de Porto Alegre debateu sobre a votação do pacote de medidas do executivo municipal, que deve começar até a quarta-feira (31).

São oito projetos. Um deles propõe que a revisão geral anual dos vencimentos de todos os servidores municipais, que ocorre sempre na data-base, maio de cada ano, observe a disponibilidade orçamentário-financeira do município.

Isso inclui as vantagens pessoais e os salários das funções regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

A medida, que recebeu parecer favorável na reunião na Câmara, também é criticada pelo sindicato. "É lamentável. A categoria vê com muita preocupação e também está indignada com a froma que o projeto foi colocado na Câmara, sem nenhuma discussão com os tarbalhadores", diz Terres, que alega que esse projeto é inconstitucional.

O secretário Busatto, por sua vez, diz que não há como aumentar salários neste momento. "O que é inconstitucional é vincular o reajuste, a revisão salarial, à inflação. Todas as outras capitais e o estado não tem essa obrigatoriedade, se faz uma revisão geral anual. O Rio Grande do Sul está há três anos sem dar reajuste aos servidores. Por quê? Porque não há dinheiro", afirma.

Na Câmara, a discussão sobre os projetos da prefeitura ocorreu com bastante discussão. Vereadores de oposição tentaram suspender e adiar a votação, mas os pedidos foram negados. Houve várias suspensões de alguns minutos até a definição de que a votação deve começar em 48 horas.


 Secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto
Secretário municipal da Fazenda, Leonardo Busatto



Fonte: G1