Romero Jucá recebeu R$ 9 milhões para alterar MPs, afirma delator

Os depoimentos fazem parte do inquérito 4426 do Ministério Público

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) recebeu R$ 9 milhões para alterar e aprovar medidas provisórias de forma que favorecessem a Odebrecht, afirmou o ex-executivo da empreiteira, José de Carvalho Filho.

A participação direta de Jucá no esquema milionário também é apontada na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. Os depoimentos fazem parte do inquérito 4426 do Ministério Público.

Cláudio Melo Filho fala da influência do senador na aprovação da Medida Provisória 627/2013, que posteriormente virou a Lei 12.973/14.O ex-diretor explica que a MP 627 diz respeito ao pagamento de impostos, imposto de renda e outros, sobre os lucros aferidos por empresas brasileiras que atuam fora do país.

Em outras palavras, a aprovação da MP evitaria o aumento de impostos da empresa ao realizar obras no exterior.Na delação, Cláudio Melo é perguntado se o senador Romero Jucá atuou para atender aos interesses da Odebrecht, que responde: "tenho certeza que sim. Ele ajudou no que pôde''

Para compreender a influência de Jucá na aprovação da MP, a procuradora pergunta se "ele atuou diretamente nesse sentido", e Cláudio responde: "o senador atuou nesse sentido. Sem dúvida nenhuma"

O ex-executivo da Odebrecht, José de Carvalho Filho, disse que a empresa chegou a pagar R$ 9 milhões a Romero Jucá pela aprovação de uma medida provisória. Ele, inclusive, teve vários encontros com o senador com a finalidade de entregar senhas para realizar o pagamento.

"Na MP 627 houve também uma atuação, uma determinação do senhor Carlos Sousa [ex-presidente da Braskem] a Cláudio [Melo] Filho que me permitiu, que me solicitou que informasse ao senador Romero Jucá o pagamento de R$ 9 milhões. E assim foi feito.", disse o ex-executivo na delação.

De acordo com José de Carvalho, a empresa ainda pagou para influenciar a MP 613, que criou o regime especial que deu incentivos tributários a um dos negócios da Odebrecht.

Ele afirma ainda que "após a edição da medida provisória 613, o senhor Carlos Souza fez uma autorização com seu Cláudio Melo que me pediu que comunicasse o pagamento destinado pelo Carlos Souza ao senador Romero Jucá."

Em nota, o senador Romero Jucá afirmou que sempre esteve e sempre estará à disposição da Justiça para prestar qualquer informação. "Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da Legislação e tive todas as minhas contas aprovadas", afirmou.

Disse ainda que "como líder do governo ou relator de medidas provisórias, recebe as demandas dos deputados e senadores, de áreas governamentais, do ministério da fazenda, da receita federal, das confederações, dos setores da economia e das centrais sindicais. A partir daí se discute o teor de medidas provisórias com todos os órgãos. Somente se leva adiante, em forma de emendas, o que é aprovado pela equipe econômica, pois, se não há aprovação das áreas econômicas dos governos, as mesmas são vetadas, uma vez que o presidente da república é quem sanciona qualquer alteração em leis".


Romero Jucá
Romero Jucá




Fonte: G1
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