O Projeto Superação busca transformar vidas com artes marciais, esporte e dança. Mais de 5 mil famílias já foram beneficiadas. Dentre elas, a família Menezes, que rendeu a campeã olímpica Sarah Menezes para a história do Brasil no judô. Um dos idealizadores é o professor Expedito Falcão, que afirma que tudo parte do sonho de ajudar o próximo. 

O judô, carro-chefe do projeto, é utilizado como uma ferramenta de inclusão social que busca resgatar crianças e adolescentes de baixa renda, tornando o esporte mais democrático. Tudo começou em 2012, e um galpão na Avenida Miguel Rosa. De início, os empresários apadrinharam os alunos, até que o Governo do Estado passou a pagar o aluguel. 

Professor Expedito “enfrenta” a aluna Agatha. Crédito: Lucrécio ArraisProfessor Expedito "enfrenta" a aluna Agatha. Crédito: Lucrécio Arrais

Após a vitória de Sarah Menezes nas olimpíadas, o Centro de Treinamento Sarah Menezes, no bairro Saci, zona sul da capital, foi inaugurado e o projeto ampliou com mais uma modalidade: o taekwondô, que aparece com uma nova opção para os jovens. Anos depois foi inaugurado o Ginásio Municipal Sarah Menezes no bairro Morada do Sol, zona Leste de Teresina. Hoje o projeto conta também com aikido, boxe, capoeira, dança, funcional, jiu-jitsu, karatê, kendô e tai chi chuan. 

Atualmente, funcionando no Centro de Ensino de Tempo Integral Monsenhor Raimundo Nonato Melo, o Projeto Superação atende mais de 400 famílias. Em Teresina são nove núcleos, sendo oito em parceria com a Prefeitura Municipal de Teresina e um a partir de emenda parlamentar. 

Além de Teresina, em Amarante também existe um núcleo que atende 100 famílias. A ideia é ampliar o atendimento em Beneditinos e São João Sóter, no Maranhão

Proposta é avançar o Superação por toda a cidade 

Para o professor Expedito Falcão, o Projeto Superação deve se capilarizar cada vez mais. 

"A proposta é crescer para Santa Maria da Codipi e Lagoas do Norte. Nossa grande meta é expandir o esporte como um todo. Hoje temos várias modalidades além do judô, abrangendo as crianças e os adultos. Queremos massificar os esportes, principalmente os de luta", revela.

Agatha e Calebe. Crédito: Lucrécio Arrais.Agatha e Calebe. Crédito: Lucrécio Arrais.

O professor de judô quer espalhar o esporte para toda a juventude que deseje ingressar na modalidade. 

"O judô, que domino, estamos espalhando em escolas e outras cidades. Através do esporte a gente proporciona saúde, autoestima, segurança, prazer e novos vínculos. Antes de formar atletas, quero formar cidadãos, pessoas que entram e saem de qualquer lugar com uma boa impressão", acrescenta.

Calebe Silva, de 9 anos, diz que sempre quis fazer judô. 

“Eu gosto de treinar e os resultados estão muito bons. Gosto de aprender os ensinamentos e as aulas são muito importantes para mim. Aqui faço amizades e venho sempre com minha mãe”, aponta o pequeno.

Já Agatha Sophia mostra a desenvoltura de uma verdadeira atleta. 

“O judô é a coisa mais importante na minha vida. Meus pais me incentivam bastante e graças a Deus não me canso de fazer. Ganhei uma medalha de bronze em Belém do Pará, fiquei muito nervosa. Mas eu sinto que da próxima vez posso conseguir a medalha de ouro. Quero ser uma campeã olímpica. Minha inspiração sou eu mesma, gosto muito da Sarah, mas quero inspirar outras pessoas também”, dispara.

Esportes que transformam vidas 

Vida de Sousa, 12 anos, mudou, literalmente, de vida ao conhecer a modalidade esportiva. Ela perdeu peso e ganhou mais saúde e autoestima. 

“O judô me ajudou muito porque eu era obesa, então emagreci bastante. Eu me interessei pelo judô porque ajuda a melhorar a mente e toda a saúde. Faço capoeira e dança, além do judô”, considera a adolescente.

Vida conquistou novos hábitos positivos. Crédito: Lucrécio Arrais.Vida conquistou novos hábitos positivos. Crédito: Lucrécio Arrais.

Para a professora de judô Jéssika Mendes, o retorno da juventude é super positivo. 

“É um trabalho de suma importância. É um projeto social onde a gente trabalha com muito amor e carinho. Eu fico mais satisfeita em ver como esses meninos evoluem. Eles podem competir em nível de Brasil. Daqui pra frente vamos colher bons frutos", aponta.

Além do judô, outras lutas são incorporadas ao arsenal de combate aos maus hábitos, como as drogas e a prostituição, que partem da ociosidade dos jovens que passam as tardes do contraturno da escola sem fazer algo úti. Desta forma, o esporte termina sendo uma ferramenta de resgate. 

Esporte é ferramenta de transformação. Crédito: Lucrécio Arrais.Esporte é ferramenta de transformação. Crédito: Lucrécio Arrais.

Isidio Henrique dos Santos Farias, professor de karatê, conta que a luta de origem japonesa tem muitos fatores positivos. 

“O karatê é importante em vários aspectos. É uma atividade física que impõe disciplina, além de trazer a cultura da autodefesa. É uma forma de tirar as crianças da criminalidade e da vulnerabilidade”, considera. Lara Vitória, de 15 anos, já sonha com a faixa preta. “Estou indo para a faixa amarela e os treinamentos são incríveis. Eu sempre quis fazer karatê e estou muito feliz. Quero chegar até a faixa preta e ser professora”, finaliza.