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Amazon é processada por funcionários por risco de contágio da COVID-19

Três funcionários da Amazon que trabalham em um de seus centros de distribuição em Nova York, estão processando a empresa

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Três funcionários da Amazon que trabalham em um de seus centros de distribuição em Nova York, estão processando a empresa, alegando que ela colocou eles e suas famílias em risco de contaminação da COVID-19. Uma das envolvidas na ação, Barbara Chandler, afirma que contraiu o vírus em março deste ano no armazém da companhia, em Staten Island e que sua prima, que morava com ela, morreu depois de apresentar os sintomas do coronavírus.

Ainda de acordo com Chandler, os funcionários “foram explícita ou implicitamente encorajados a continuar participando do trabalho e impedidos de lavar adequadamente as mãos ou higienizar suas estações de trabalho", afirma o processo. A sugestão de que as condições de trabalho nas instalações contribuíram para uma morte específica de terceiros distingue a ação judicial em questão, de outras queixas relacionadas ao coronavírus movidas contra a Amazon nos últimos meses.

O processo indica ainda que os demandantes, que acusam a Amazon de violar as leis de incômodo público e de segurança dos funcionários, fornecendo informações erradas aos trabalhadores e estabelecendo cotas e políticas disciplinares "opressivas e perigosas", não estão buscando indenização por doença ou morte. O documento, que foi anexado em conjunto com grupos de defesa, como Towards Justice, Public Justice e Make the Road New York, está pedindo, principalmente, uma liminar que exige que a empresa venha a aderir às orientações de saúde pública.

Contatada pela Bloomberg, a Amazon informou na última quarta-feira (03) que está analisando a denúncia. Lisa Levandowski, porta-voz da empresa, afirmou: "Estamos tristes com o trágico impacto que o COVID-19 teve nas comunidades em todo o mundo, inclusive em alguns membros da equipe da Amazon e em sua família e amigos. Desde o início de março até 1º de maio, oferecemos aos nossos funcionários tempo ilimitado fora do trabalho e, desde 1º de maio, oferecemos licença para os mais vulneráveis ou que precisam cuidar de crianças ou familiares.”

No entanto, o processo movido pelos três funcionários alega que a Amazon apenas "procurou criar uma fachada de conformidade [com as regras de saúde pública]" e continuou com práticas inseguras. O documento afirma que "os trabalhadores continuam trabalhando a velocidades vertiginosas, mesmo que isso os impeça de se distanciar socialmente, lavando as mãos e higienizando seus espaços de trabalho”. Além disso, os autores também dizem que a Amazon pune os funcionários que se queixam da segurança no local de trabalho e pede que os mesmos evitem informar os outros se forem infectados. "A Amazon disse aos funcionários que o rastreamento de contatos consiste apenas em revisar suas imagens de vigilância, em vez de entrevistar trabalhadores infectados sobre suas interações", diz a ação." "As falhas da Amazon já causaram ferimentos e morte a trabalhadores e familiares de trabalhadores", completa, observando que um trabalhador no armazém de Staten Island foi confirmado como morto por Covid-19.

O armazém da Amazon Staten Island - conhecido como JFK8 - é foco de reclamações de saúde e segurança desde março, quando os funcionários fizeram a primeira de uma série de paralisações. A Amazon demitiu o líder do protesto, alegando que ele violou uma ordem de quarentena da empresa. Essa gerou denúncias e pedidos de investigação junto às autoridades, incluindo a participação do senador democrata Bernie Sanders e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

Medidas insuficientes?

Segundo a Amazon, mais de 150 processos foram atualizados para proteger os funcionários, e a empresa está gastando mais de US $ 800 milhões no primeiro semestre de 2020 em medidas de segurança contra a COVID-19. Os trabalhadores diagnosticados com o vírus também estão recebendo uma folga adicional remunerada.

No entanto, isso não parece o suficiente. Trabalhadores da companhia, sindicatos e autoridades eleitas disseram que a empresa colocou em risco a saúde dos colaboradores, ao manter quase todos os seus armazéns operacionais durante a pandemia. Pelo menos 800 deles, nos EUA, deram positivo para a COVID-19, que é altamente contagiosa.

Além disso, Tim Bray, um engenheiro e vice-presidente da Amazon, anunciou em seu blog que pediu demissão da empresa, em protesto contra a dispensa de funcionários que denunciaram o medo de contrair a COVID-19 nos centros de distruibuição da gigante do e-commerce.

Entre as medidas adotadas pela empresa para combater a propagação do coronavírus em suas instalações, estão a utilização de câmeras térmicas em seus armazéns, para fazer a triagem de trabalhadores que apresentem quadros de febre. A companhia também construiu um laboratório que será capaz de testar seus colaboradores para checar se eles estão contaminados com o coronavírus. A Amazon ainda aumentou a limpeza, adicionou medidas de distanciamento social e ofereceu máscaras faciais.

Para além da ações de saúda da gigante do e-commerce, o fato é que a crise gerada pela COVID-19 fez seus negócios crescerem exponencialmente. Prova disso é que a Amazon planeja oferecer empregos permanentes para cerca de 70% da força de trabalho temporária que atua nos EUA. O objetivo é atender a demanda do consumidor, que aumentou consideravelmente durante a pandemia. A empresa disse que tinha 840.400 funcionários em período integral e parcial no final do último trimestre, enquanto ainda estava em processo de contratação.

A partir deste mês, a gigante do e-commerce começará a informar 125 mil funcionários que trabalham nos centros de distribuição da empresa, de que eles poderão ser contratados a longo prazo. Outros 50 mil trabalhadores restantes que estão sob o regime temporário terão contratos sazonais que durarão 11 meses, segundo um representante da companhia.

A empresa não divulgou quanto gastará para transformar as posições temporárias em permanentes e se esse custo seria adicional aos US $ 4 bilhões previstos para despesas relacionadas ao coronavírus. Mas o fato é que as funções permanentes trazem benefícios que os trabalhadores sazonais mais precisam, como planos de saúde e planos de aposentadoria, ambos oferecidos pela Amazon.




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