A rede de satélites de telecomunicações Starlink, da SpaceX, deve começar a oferecer internet móvel para smartphones já no próximo ano. O projeto "Coverage Above and Beyond" (em tradução literal, "Cobertura Acima e Além") será realizado em parceria com a operadora de telefonia norte-americana T-Mobile.

Até o momento, a Starlink só fornece conexão para quem tem uma antena em casa. Elon Musk, dono da empresa, e Mike Sievert, presidente da T-Mobile, anunciaram o plano de expansão nesta quinta-feira (25), durante um evento de webcast nas instalações da Starbase da SpaceX, no sul do Texas (EUA).

Celulares começam a receber internet espacial oferecida por Elon Musk (Foto: Divulgação)Celulares começam a receber internet espacial oferecida por Elon Musk (Foto: Divulgação)Com a nova cobertura, clientes da T-Mobile poderão acessar a conectividade Starlink pelos seus telefones e outros dispositivos móveis atuais, com planos da operadora. Não será necessário comprar nenhum equipamento novo especial, disse Sievert. "Acho que isso é realmente uma grande mudança de jogo. Em poucas palavras, não haverá mais zonas mortas", garantiu Musk.

As "zonas mortas" mencionadas pelo bilionário são regiões remotas, longe de torres de celular, onde smartphones não conseguem obter sinal. Nos Estados Unidos, cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados não são cobertos por nenhuma rede. Um sinal de internet vindo do espaço seria a solução, pois teoricamente pode alcançar qualquer ponto do globo.

Desafios acima e além

O projeto "Coverage Above and Beyond" aproveita a tecnologia Starlink, a megaconstelação de banda larga que a SpaceX está construindo na órbita da Terra. Já foram lançados mais de 3.000 mil pequenos satélites, mas suas operações ainda não está à altura do projeto recém-anunciado. O sucesso dele depende da versão 2.0 da Starlink, que deve ser lançada em 2023.

Já foram lançados mais de 3.000 mil pequenos satélites para a megaconstelação da banda larga (Foto: Divulgação)Já foram lançados mais de 3.000 mil pequenos satélites para a megaconstelação da banda larga (Foto: Divulgação)Os novos satélites serão bem maiores, com 7 metros de comprimento e 1,130 kg (1,25 toneladas) — o modelo atual pesa 300 kg (660 libras). Devido ao tamanho, a SpaceX precisará lançá-los em sua nave gigante Starship, que ainda está sendo desenvolvida, em vez de no versátil foguete Falcon 9.

Além disso, cada satélite precisará ser equipado com uma antena especial, de cerca de cinco metros de largura. "Elas são as antenas phased-array mais avançadas do mundo", disse Musk. "Elas precisam ser extremamente avançadas, porque precisam captar um sinal muito silencioso do seu celular."

"Você pode imaginar, esse sinal tem que viajar 800 km e então ser capturado por um satélite que está viajando a 27.350 km por hora", completou. "E o satélite tem que compensar o efeito Doppler de se mover tão rápido. Então este é realmente um desafio técnico bastante difícil. Mas temos isso funcionando no laboratório e estamos confiantes de que funcionará no campo."

A cobertura Starlink não pretende substituir o serviço de torres em solo, porém. O "Coverage Above and Beyond" fornecerá apenas cerca de 2 a 4 megabits por "zona de célula" — o que corresponde a 1.000 a 2.000 chamadas de voz simultâneas ou centenas de milhares de mensagens de texto.

Portanto, será uma solução para garantir conectividade a mais pessoas e lugares, e não uma opção de internet rápida, como para jogos online ou chamadas de vídeo. Pelo menos não em um futuro próximo. Musk está esperançoso em expandir a tecnologia e em levá-la para outros países.

"Este é um convite aberto para operadoras de todo o mundo", sugeriu o CEO. "Por favor, entre em contato conosco e adoraríamos fazer parceria com você e permitir isso globalmente."

Fonte: UOL