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Como seu smartwatch pode ajudar na detecção precoce da COVID-19?

Para isso, são usadas as informações sobre frequência cardíaca e respiratória

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Não é de hoje que pesquisadores procuram traçar paralelos entre os dados coletados por um smartwatch ou ainda uma smartband e potencias doenças. Agora, estudos apontam que alterações na frequência cardíaca e respiratória, além de outras mudanças em biometrias coletadas, pelos dispositivos podem sinalizar a infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) ainda nos estágios iniciais, ou seja, antes mesmo dos sintomas.

"Quando você fica doente, mesmo antes que se perceba, seu corpo começa a mudar, seu batimento cardíaco aumenta", explica o professor Michael Snyder, da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, sobre as possíveis aplicações dos dispositivos na saúde. Além disso, mudanças no comportamento do sono podem ser um outro fator a ser considerado.

Entenda a pesquisa

Liderando a pesquisa Wearables Data Study, o grupo de pesquisadores de Snyder estão entre as equipes que examinam se dispositivos como uma Fitbit ou um Apple Watch podem fornecer um alerta precoce para a COVID-19. Na primeira etapa, cerca de cinco mil pessoas foram inscritas na pesquisa de Stanford, sendo preferencialmente usuários do Apple Watch. Agora, 31 dos usuários que testaram positivo para COVID-19, durante o estudo, tiveram seus dados históricos investigados.

Em 80% dos casos do novo coronavírus, os contaminados apresentavam alguma evidência, como alterações cardíacas, em seus dispositivos portáteis que indicavam a infecção no momento ou, até mesmo, antes do aparecimento dos primeiros sintomas da COVID-19. "A falha em detectar essas alterações nos demais pacientes geralmente ocorreu naqueles com doença respiratória / pulmonar crônica", argumentam os pesquisadores.

A percepção média das alterações do corpo antes dos sintomas foi de três dias, conforme é relatado em preprint - tipo de publicação científica que ainda não foi revisada por outros pares - publicado na plataforma online medRxiv. Além disso, os pesquisadores alegam que "desenvolvemos um método para detectar o início da infecção por COVID-19 em tempo real, que detecta 67% dos casos de infecção antes ou após o início dos sintomas".

Em um único caso especial, os dados coletados via smartwatch conseguiram detectar os sinais de uma possível infecção nove dias antes que sintomas mais determinantes fossem relatados, diz a equipe que analisou as informações de forma retroativa.

Mais estudos

No entanto, o estudo de Stanford está longe de se encerrar e mais análises e acompanhamento devem ser feitas. "Estamos tentando criar um algoritmo que use esses dados para detectar a infecção por COVID-19 antes do início dos sintomas", explicam os idealizadores no estudo.

Ainda no contexto da pandemia do coronavírus, a Fitbit conduz sua própria pesquisa sobre como seus dispositivos podem ajudar, da melhor forma, na detecção precoce de novos casos. Para esse estudo, cerca de 100 mil pessoas, divididas entre os Estados Unidos e o Canadá, participam, incluindo 900 já diagnosticadas com a COVID-19. "Vimos as mudanças nas taxas respiratórias e cardíacas que suspeitávamos que acontecessem", afirma o cientista chefe da Fitbit, Conor Heneghan.


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