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Projeto Pesca Solidária contribui para a conservação do peixe-boi marinho no litoral do Piauí e Ceará

Projeto Pesca Solidária contribui para a conservação do peixe-boi marinho no litoral do Piauí e Ceará

Projeto Pesca Solidária contribui para a conservação do peixe-boi marinho no litoral do Piauí e Ceará
ChicoRasta/Pesca Solidária | Edyvaldo Santos

O Projeto Pesca Solidária, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, realizado pela Comissão Ilha Ativa desenvolve inúmeras atividades na região do estuário dos rios Timonha e Ubatuba, na divisa litorânea dos estados do Piauí e Ceará. As ações abrangem os municípios de Cajueiro da Praia (PI), Barroquinha (CE) e Chaval (CE) e são voltadas para a organização social, geração de renda, educação e preservação ambiental.

Dentre as ações de preservação ambiental, existe o monitoramento do peixe-boi marinho, que é realizado mensalmente durante cinco dias seguidos. A equipe de biólogos responsáveis por esse monitoramento embarca nos rios do estuário e no mar para coletar diversos dados ambientais, como teor de salinidade, pH da água, temperatura, dentre outros, além de fazer registros fotográfico do animal e observar seu comportamento e número de indivíduos.

Os corpos d’agua na região do estuário do Timonha e Ubatuba são bastantes conhecidos pelo aparecimento da espécie, que já desapareceu em alguns outros estados da região nordeste, como Espirito Santo, Sergipe e Bahia. O município de Cajueiro da Praia, no Piauí, foi a primeira cidade brasileira a conceder o título de patrimônio natural ao peixe-boi marinho, e no calendário de eventos turísticos do município a figura do mamífero aquático se faz presente.


Projeto Pesca Solidária contribui para a conservação do peixe-boi marinho no litoral do Piauí e Ceará - Imagem 1

Para os estudos realizados com o monitoramento do peixe-boi no âmbito do Projeto Pesca Solidária, algumas questões são focadas para determinar a estimativa populacional da espécie na região. Para isso são avaliadas a presença e a sazonalidade de aparecimentos dos espécimes, o que também contribuirá para se identificar as áreas mais importantes para sua conservação.

Recentemente o Ministério do Meio Ambiente (MMA) alterou a classificação do peixe-boi quanto ao seu risco de extinção e melhorou a sua posição, passando-o de Criticamente Ameaçado para Em Perigo. Isso é resultado do conjunto de ações em todo o país para conservação do mamífero aquático mais ameaçado no Brasil.

Até o momento o Pesca Solidária, já realizou dezenas de saídas de campo, de agosto (2014) a abril (2015), e cada saída teve a duração de 5 dias. As saídas possibilitam a observação do peixes-bois em seu ambiente natural e o estudo de seu comportamento, com foco no uso do habitat e reprodução. Nesse período foram georreferenciadas áreas de ocorrência de atividade pesqueira, tráfego de embarcações, salinas, urbanização e carcinicultura, com o objetivo de determinar se essas ações se configuram como prováveis ameaças para o peixe-boi no seu habitat.



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Foram mapeadas também, nas primeiras saídas de campo, as áreas de alimentação do peixe-boi marinho para caracterizar as áreas de forrageio de água doce, além de determinar os impactos nos locais de alimentação do peixe-boi. O acompanhamento dessas áreas é feito através de mergulhos livre a cada mês.

“O acompanhamento mensal desses bancos de alimentação, servirá como base para trabalhos posteriores, onde vai ser possível identificar de maneira mais especifica quais espécies da vegetação marinha, tem um grande potencial na alimentação da espécie nessa área de estudo”, disse a bióloga responsável pelo monitoramento, Liliana Souza.

Por meio de entrevistas informais com pescadores da região são coletadas informações a respeito de mais pontos ao longo do estuário onde é possível avistar os sirênios. De acordo com pescadores experientes, há pontos, como em grandes bancos de alimentação, onde é possível ver além de peixes-bois, outras espécies como tartaruga-verde (Chelonia mydas) e cabeçuda (Caretta caretta).

Nas análises preliminares dos dados já coletados, a equipe observa que a avistagem dos animais é bastante reduzida no período de agosto a fevereiro, que corresponde ao período sem chuva na região; supõe-se que isso esteja relacionado ao aumento no teor de salinidade nos corpos d’água do estuário, que diferentemente do período chuvoso, onde o índice de salinidade é mais baixo, o número de avistagem dos animais é bem maior.

“Será preciso um acompanhamento da área em um período completo tanto no período seco como chuvoso, e assim poder ter dados satisfatório que possam determinar, quais fatores abióticos colaboram ou não para avistagem do animal”, completa Liliana.



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“Durante as atividades de campo já foram avistados 60 animais, dentre estes dois filhotes. Esse número não corresponde ao número de indivíduos da população local, tendo em vistas que se pode ter avistado o mesmo espécime em locais e dias diferentes”, completa Liliana.

Todas as ações em prol da preservação dessa espécie são realizadas em parceria com os pescadores da região, que repassam informações sobre pontos estratégicos, além do apoio de técnicos do ICMBio, que realizam monitoramento a partir da torre de observação, instalada no mar, na divisa dos estados.

Ascom Pesca Solidária






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Fotos: ChicoRasta/Pesca Solidária.

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