O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), diz ter certeza de que Jair Bolsonaro (PL) será reeleito. Ele indicou ainda que é possível que o atual presidente ganhe no primeiro turno. Nas pesquisas eleitorais divulgadas neste ano, porém, Bolsonaro aparece em segundo lugar, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do UOL.

"Eu tenho uma previsão. Muita gente acha que, daqui a dois meses, o presidente já vai estar em empate com o Lula. Nas convenções, já vai estar na frente. Mais perto da eleição, nós vamos fazer as contas [para ver] se ele ganha no primeiro turno. Minha previsão é essa, pelas pesquisas que nós temos em mãos", declarou o ministro durante participação no "Conversa com Bial" de hoje.

Ciro Nogueira (Foto: Reprodução / Globo)Ciro Nogueira (Foto: Reprodução / Globo)

Pesquisa da Quaest 

Consultoria divulgada ontem pela Genial Investimentos aponta que Lula lidera as intenções de voto no 1º turno com 44%, em um dos cenários testados, com oito pré-candidatos. Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 26%. Levantamento PoderData também divulgado ontem mostra Lula com 40% seguido pelo presidente, com 30%. Sondagem da Ipespe, contratada pela XP Investimentos e divulgada na semana passada, aponta Lula com 43% e Bolsonaro com 28%.

"Não tenho dúvidas [de que Bolsonaro vencerá]. Um presidente nunca deixou de ser reeleito no Brasil. Tem um sentimento de que as pessoas merecem um segundo mandato" - Ciro Nogueira.

Questionado pelo apresentador Pedro Bial se aceitaria o resultado das urnas eletrônicas seja qual for, Nogueira declarou que confia nas mesmas, mas não acha que elas não possam ser fraudadas. "Precisa haver uma vigilância constante", reforçou.

Desde a adoção do sistema de votação no Brasil, em 1996, nunca houve comprovação de fraude nas eleições.

3ª via? 

Ciro Nogueira comentou ainda sobre o fato de a chamada "3ª via" não ter emplacado nas pesquisas eleitorais.

"Porque não tem ninguém capaz de incorporar um sentimento. As pessoas que se apresentaram, como o Moro, não passaram confiança, as pessoas sentiram um aproveitador de momento. Nós temos dois candidatos com percentual de votos muito alto e uma rejeição muita alta. O segundo turno já começou."

O ministro-chefe declarou ainda que Bolsonaro terá uma boa votação no Nordeste, porém será derrotado por Lula na região. "Em algumas regiões, nós vamos superar o presidente Lula. Mas no geral, ele [Lula] ganha no Nordeste, mas vai perder no resto do país", afirmou.

Lula x Bolsonaro

Algumas críticas feitas pelo ministro a Bolsonaro no passado, bem como elogios a Lula, foram relembrados por Bial. Nogueira disse ter uma opinião completamente diferente do que dizia.

"O Lula que está vindo não é o de 2002, é o de 1989. Um Lula que saiu da prisão mas foi aprisionado pelo PT. Ele está aprisionado, com medo de que as pessoas vejam quem está do lado dele, a Dilma, a Gleisi. Esse é o problema, o Lula não pode fazer campanha", afirmou.

Segundo Nogueira, o Lula que ele elogiava era outro. "Era o Lula que veio para combater a miséria. O Lula de hoje veio para trazer o poder pra o seu partido. É diferente", disse.

Com relação a Bolsonaro, a quem chamou de preconceituoso e despreparado no passado, o ministro-chefe também explicou sua mudança de posicionamento.

Ciro Nogueira ao lado de Bolsonaro - Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/13-12-2021 Ciro Nogueira ao lado de Bolsonaro - Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/13-12-2021 

"Essas eram opiniões do deputado Bolsonaro. Quando eu conheci o presidente Bolsonaro, eu mudei. Eu fico imaginando o país se o Haddad tivesse ganho a eleição. Nós não tínhamos feito reforma da previdência. Como é que ia ser? Esse país tinha sido um caos. Um congresso altamente reformista. Eu conheci Bolsonaro presidente. Houve um amadurecimento. Nós tivemos que nos unir para transformar o nosso país e deu certo", declarou.

"Tenho mil vezes mais identificação com o presidente Bolsonaro do que o que eu tinha com o PT. O presidente Bolsonaro de 2022 é muito melhor do que o de 2018".

Ele destacou, ainda, a forma de governar do presidente e como acredita que isso é sua maior força.

"O grande diferencial do Bolsonaro é que ele não coloca as questões eleitorais acima dos interesses do país. Se fosse assim, ele não teria tornado o Banco Central independente", declarou.

Nogueira continuou: "Nós temos um presidente muito autêntico, muito espontâneo. Não se prepara para falar o que o povo gosta, ele fala o que ele pensa. Alguns acham ruim, eu acho a coisa mais importante para ele. Ele tem uma forma muito diferente de se comunicar. Nós temos um presidente que nunca foi tão massacrado pela mídia".

"Se ele mudar essa espontaneidade, será um grande erro", concluiu.

Gasolina

Nogueira defendeu ainda a permanência do general Silva e Luna no comando da Petrobrás e falou sobre o aumento da gasolina.

"A Petrobrás não segura, porque não tem como. Se não fosse o aumento do combustível, em abril faltaria gasolina no Brasil. Dividimos o custo e o sacrifício com a população", declarou, culpando a guerra pelo aumento excessivo.

"Estamos torcendo para acabar essa guerra e o barril despencar. Daqui a 30 dias, espero que esse preço recue e a gente não precise passar isso para a população".

Ele ainda declarou acredita que o general Silva e Luna, atual presidente da Petrobrás, não tem culpa.

"A culpa não é do gestor. O Brasil, das grandes economias mundiais, é a única que não tem 100% do refino", declarou, alfinetando os governos anteriores do PT por isso. "Não culpo o Luna. Seria muito fácil trocar o presidente e reduzir o preço. Não é culpa dele. O barril dobrou de preço. Esse é o problema do país não ser autossuficiente".

Vacinação 

A CPI da Covid e o negacionismo em torno da vacinação contra a covid-19 também foram alguns dos pontos abordados na entrevista.

"A CPI foi um momento muito triste do Congresso Nacional, em que as pessoas colocaram a vaidade querendo criar narrativas absurdas", declarou Nogueira. "Hoje o Brasil foi chamado pela OMS para escrever um tratado sobre pandemia. O Brasil errou, mas hoje é um exemplo para o mundo de vacinação".

Ele afirmou, ainda, que o negacionismo partiu dos dois lados. "O negacionismo foi uma coisa generalizada. Mas o mal foi da oposição, que negou que estávamos comprando a vacina. O negacionismo foi total, não foi só de um lado. O Brasil e o mundo errou, ninguém estava preparado para esse momento. Nenhum líder se saiu bem", afirmou.