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Gir Leiteiro atrai interesse de criadores e cresce no Piauí

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Há cinco anos, quando esteve em Minas Gerais, o empresário e fazendeiro piauiense Marcílio Mota se encantou com uma exposição de gado zebu durante visita a uma vacaria daquela região e não perdeu tempo, comprou dez novilhas e um tourinho da raça. Ele estava adquirindo Gir Leiteiros, uma das raças bovinas mais antigas do planeta, de origem da Índia, país onde o animal é considerado sagrado.

De lá para cá, as poucas matrizes adquiridas por Marcílio, naquela época, cresceram, reproduziram e, atualmente, o rebanho de sua fazenda, chamada de Candará, é formando por mais de cem cabeças de Gir Leiteiro. Hoje, elas são responsáveis pelo maior rendimento da fazenda, com vendas de leite, queijo e, principalmente, de tourinhos, matrizes do animal que são adquiridas por outras vacarias piauienses. “Desde que comprei os primeiros animais, a gente vem participando de todas as exposições e, assim, adquirindo sempre novas matrizes de Gir Leiteiro. E agora, nossa meta é crescer o rebanho, podendo chegar a mais e 300 cabeças da raça. Vamos expandir até onde tiver demanda”, frisa o fazendeiro Marcílio Mota.

Rebanho de Gir na fazenda do pecuarista Marcílio na estrada de União


O que boa parte dos piauienses, é que esse tipo de animal já está no Brasil há mais de um século e chegou aqui quase da mesma forma, sendo importado da índia por um fazendeiro mineiro. Atualmente, a raça é importante para a pecuária leiteira nacional, pois consegue alcançar níveis altos de produção de leite.

Produção de 12kg de leite ao dia

Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) apontam que a produção de leite pode chegar a 3,233 mil quilos por lactação, ou seja, 12 quilos de leite ao dia. “Além do leite, que é o principal produto, o animal também produz produtos como sêmen, embriões, tourinhos e matrizes”, explica Rodrigo Borges, membro do conselho deliberativo da ABCGIL.

Ele destaca, ainda, que o animal foi cruzado com o gado holandês e dele nasceu a raça Girolando, que atualmente é responsável por 80% do leite consumido pelos brasileiros. “Ambas as raças mães – Gir e Holandês - contribuíram muito para o sucesso e formação do Girolando”, esclarece. A raça é diferenciada por conta de sua rusticidade, longevidade produtiva e reprodutiva, docilidade e facilidade de parto.

O Gir Leiteiro expressa seu potencial produtivo com menos alimento e sofre menos com a restrição alimentar, pois sua exigência, seu índice de metabolismo e de ingestão de alimentos são mais baixos em relação às raças taurinas, sendo necessário menor reposição alimentar.

E entre os fatores que alicerçaram essa produção está a evolução genética da raça. E ela tem como base, o Programa Nacional de Melhoramento Genético do Gir Leiteiro, conforme lembra Borges.

Expectativa de novos investidores

Segundo informa o presidente da Associação Piauiense dos Criadores de Zebu e criador da raça Gir Leiteiro, André Nogueira, hoje existem 15 selecionadores da raça, ou seja, pessoas que se dedicam a criar a raça de forma pura, traba-lhando com inseminação e transferência de embriões. “Esses criadores estão principalmente localizado entre Teresina, Piripiri e Piracuruca, mas temos também criadores espalhados por todo o Piauí”, reforça.

Nogueira reforça que mais de 500 pessoas já adquiriram tourinhos desses criatórios para melhorar os seus reba-nhos. “Temos vendido animais para todo o Nordeste, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. São animais nascidos aqui. A expectativa é de que a gente possa crescer ainda mais, pois a cada ano entra um novo criador a raça em nosso Estado, por entender que é uma raça que atende as nossas necessidades de adaptação, produtividade e principalmente de ser a raça base também para formação do Girolando, que é o cruzamento do Gir Leiteiro com o Holandês. Essa é uma raça que chegou para ficar, viável e que tem encontrado muitos adeptos da raça”, pondera.

Ele conta que há 12 anos, a Fazenda JM tinha um rebanho Girolando mais voltado para a raça holandesa, portanto, com mais sangue europeu do que zebu. “Tivermos muitas dificuldades com esse rebanho por conta da adapatação ao calor e secas do Piauí. Daí tomamos a decisão de ir buscar uma raça adaptada e que fosse produtora de leite e viajamos pelo Brasil e encontramos a raça Gir Leiteiro. É uma raça zebuina, uma raça que é adaptada ao calor e nosso ambiente, e trouxemos esses primeiros animais nesse período. De lá para cá foram feitos vários investimentos e primeiro a Fazenda JM se preocupou em aumentar o rebanho e depois partimos para um trabalho de fato de melhoramento genético, comprando matrizes renomadas no Brasil para multiplicar esse rebanho através das transferências de embriões”, frisa, acrescentando que hoje a Fazenda JM tem um rebanho de aproximadamente 200 animais da raça Gir Leiteiro. “Eu mesmo tenho na faixa de umas cem cabeças de Gir Leiteiro”, finaliza.

Mil cabeças no Piauí 

Criado em 1985, trata-se de um trabalho executado pela ABCGIL em conjunto com a Embrapa Gado de Leite e que tinha como objetivos principais, a promoção do melhoramento da raça por meio da identificação e seleção de touros geneticamente superiores para as características de produção, como leite, gordura, proteína e sólidos totais.

“Os dados de produção têm como base, a lactação das fêmeas filhas dos touros avaliados. Anualmente, é divulgada a classificação de touros líderes para estas características, possibilitando aos produtores a utilização desta genética provada e melhoradora, através da inseminação artificial, por exemplo”, ressaltou o conselheiro.

O programa envolve estudos em genômica, visando obter modelos de predição do valor genômico para os animais. Tal conhecimento deverá gerar grande impacto sobre ganhos genéticos, redução do intervalo de geração e do custo do teste de progênie.

As avaliações genéticas são realizadas usando procedimentos do modelo animal, aliado a metodologia de estimação e de predição. “Esta solução tecnológica foi desenvolvida pela Embrapa, em parceria com outras instituições. Atualmente, o cruzamento é sempre de 50% de um e 50% de outro, seja mãe GIR e pai holandês, ou vice-versa”, disse.

Ele ressalta que, antes, para fazer um Girolando só era possível se cruzássemos uma fêmea Gir com o um touro holandês, pois a base era de cem anos. “Hoje, não é mais assim, pois fazemos até o que se chama de cruzamento inverso”. Atualmente, o Gir Leiteiro está em expansão no Brasil, com um rebanho de aproximadamente 200 mil cabeças. Em um ano, a raça cresceu mais de 10% no país. No Piauí, estimasse que o rebanho chegue a mil cabeças. E esse crescimento deve-se a sua rusticidade, pois é um o fator que permite aos animais uma adaptação em qualquer região do país, principalmente no Nordeste.




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