Encontrada crianças que viviam isoladas em uma caverna

Encontrada crianças que viviam isoladas em uma caverna

Crianças maltrapilhas que nunca receberam nenhum corte de cabelo têm 5, 7 e 8 anos

Em pleno século 21, uma família vivia isolada dentro de uma caverna.

Crianças maltrapilhas que nunca receberam nenhum corte de cabelo têm 5, 7 e 8 anos. São irmãs de um bebê de pouco mais de um ano e de outro ainda mais novo, de apenas três meses. Em pleno século 21, as crianças da família Rosales nasceram e foram criadas em uma caverna. Passaram tanto tempo isoladas que se comunicam em uma língua que só elas entendem.

Nossa jornada rumo ao estranho mundo da família Rosales começa em Bogotá, capital da Colômbia. São três horas de carro por estradas nem sempre em bom estado até o povoado de Turmequé, o mais próximo das cavernas onde as crianças nasceram e cresceram. Que gente é essa? Por que o isolamento? Fomos em busca de respostas.

A equipe do Fantástico sai de centro da vila de Turmequé para ir para a zona rural, onde as pessoas ainda vivem na caverna. Depois de subir a 2,6 mil metros de altitude, finalmente, nós chegamos perto da caverna. O pessoal da Defesa Civil vai nos guiar até o local.

Foram dois agendes da Defesa que comandaram o resgate das crianças em maio. O isolamento era tamanho que mesmo os vizinhos não sabiam que havia tantos filhos

?Achei que eram só dois. Eles não se comunicavam, não falavam com ninguém. Era como se vivessem na selva?, explicou a agricultora Maria Eva Contreras.

Depois de atravessar várias plantações, estamos bem perto das cavernas. O senhor Bernardo, que mora nas cavernas, muitas vezes, recebe com violência os visitantes. Ele tem uma machadinha e ataca as pessoas com ela. Por isso, o pessoal da Defesa Civil chamando o nome do Senhor Bernardo, para saber se ele está ou não. Conforme for, nós podemos entrar na caverna. Se ele não estiver, a mulher costuma receber bem os visitantes.

Bernardo foi fotografado pela Defesa Civil no dia da retirada das crianças.

Em um local, já bem próximo às cavernas, é possível ver que o senhor Bernardo criou dificuldades para as pessoas passarem. Ele colocou galhos para que as pessoas não cheguem perto. Morro acima, alguns sacos pendurados em varais também servem para dificultar o acesso.

A equipe do Fantástico conseguiu chegar à entrada da caverna. Aparentemente, não tem ninguém, embora dê para sentir cheiro de carvão, o que pode significar que eles cozinharam há pouco.

Ninguém responde, mas a caverna não está abandonada. O barro está fresco. Eles ainda estão construindo no local.

O pessoal da Defesa Civil lembra o momento mais chocante do resgate: quando encontraram as crianças em um buraco, sem colchão nem coberta.

As roupas que a família usa estavam enroladas nas crianças que foram encontradas na caverna. É possível ver que são roupas muito velhas, imundas, furadas, em péssimo estado.

?Quando as encontramos, não sabíamos quem era menino ou menina. Só fomos descobrir no hospital, porque o cabelo estava comprido, nos ombros?, conta um dos membros da Defesa Civil.

Os irmãos foram levados para o hospital e se apavoraram quando viram a máquina de cortar cabelo. Ficaram ainda mais espantadas, quando ficaram diante de uma TV. ?Elas tentavam pegar as imagens com a mão?, lembre Alivio Garzón.

Ninguém sabe a origem do estranho idioma falado pelas crianças. Os irmãos se comportavam de forma selvagem. ?Ela me mordeu como um animal?, conta o chefe da Defesa Civil.

A prefeita de Turmequé, María Inés Osorio, aumenta o mistério sobre a família Rosales, porque, segundo ela, o pai, apesar de forçar a família ao isolamento, não é completamente ignorante. Tanto que, depois do resgate das crianças, ele foi a Bogotá, contratou advogado e está processando o governo para ter os filhos de volta.

Aos poucos, os irmãos vão se integrando à sociedade. Os mais velhos estão aprendendo espanhol. E todos, agora, têm certidão de nascimento.

Os pais ficaram na caverna. Os pequenos Rosales vivem sob os cuidados da Assistência Social e aguardam a localização de parentes ou a adoção.

Fonte: g1, www.g1.com.br