Geisy relembra caso Uniban: 'Queria ser a gostosa, mas não era'

"Me considero um símbolo feminista", diz Geisy Arruda

Geisy Arruda: “Essa é a história da minha vida. Eu não poderia ter vergonha dela e nem me recusar a falar sobre ela. É algo que aconteceu há sete anos e é a minha história. Eu costumo brincar que sou a Cinderela e ali foi meu baile. Aquele dia, 22 de outubro de 2009, foi tenso. Rolou uma comoção entre os alunos, que se juntaram pra me hostilizar, muitos deles sem saber o motivo. Tenho certeza que quem começou aquilo foram mulheres, até porque eu não tinha muitas amigas dentro da universidade e acabava rolando uma intriga feminina e, geralmente, mulher não ajuda mulher. Nestes sete anos, venho trabalhando nisso e hoje me considero um símbolo feminista. Eu já dei palestras sobre o assunto, falando sobre agressão e liberdade e acredito que tenho esse papel, de certa forma, social. Me orgulho disso, sei da importância da minha história para as mulheres hoje e me sinto uma guerreira por ter conseguido superar.

Acredito que essa história não se repetiria novamente hoje em dia porque, naquela época, eu não tinha o corpo [considerado ideal] para usar aquele vestido, tinha o cabelo extremamente quebrado, manchado e a pele cheia de espinhas. Fui hostilizada porque estava fazendo um papel de gostosa que eu não era. Sempre tive confiança e nunca deixei que as pessoas me menosprezassem ou me dissessem que eu estava feia. Então, ficou aquela imagem da gordinha que estava se achando. Eu queria ser a gostosa, mas não era. Hoje, talvez, eles me respeitassem mais porque continuo com a mesma autoestima, mas com o corpo diferente. Ninguém mais vai me menosprezar ou me diminuir. As pessoas me respeitam por estar em um “padrão de beleza”.

Haters

Quando dizem que sou uma ‘aproveitadora’, eu me sinto feliz. Porque passei por uma humilhação pública e consegui reverter para algo positivo. Vivo dessa fama, do meu trabalho, ganho para aparecer em alguns lugares como celebridade e sou aproveitadora mesmo. Todo mundo deveria aproveitar essas oportunidades que Deus dá. Todo mundo tem sua oportunidade em algum momento, seja em um emprego novo ou em algum curso. Todo mundo tem oportunidade de ser diferente e tentar mudar sua história. Foi egoísta? Sim, mas com muito orgulho!

Eu já passei por um reality show, posei nua, trabalhei com o Gugu na ‘Escolinha’, fiz quadro de humor, já fiz clipes musicais, campanhas publicitárias, mas o que tenho mais orgulho, de tudo isso, é de ter comprado uma casa [em Santo André] para os meus pais. Me orgulho muito disso! Tudo o que eu fiz foi deixar minha família muito bem amparada. Todos podem me atacar, estou aqui para lutar, mas minha família está bem.

Moro de aluguel, em São Paulo, por opção para ficar perto de tudo. Fico no meu apê, pagando minhas contas e faço minha vida. Sou muito protetora, vou aos finais de semana para a casa da minha família, faço almoço, lavo a louça e nunca me deslumbrei com a fama. Já recebi convites para passear de helicóptero, iate, lancha, mas prefiro passar o fim de semana com a minha família. Sei que tudo isso é uma grande ilusão e minha família é de verdade.

Todo mundo me pergunta por que eu continuei na mídia e acho que, um dos motivos, é esse meu pé no chão. Aprendi valores que não têm preço. Cheguei a encher os olhos com a fama, já que tudo é muito fácil, a gente tem acesso a tudo e as portas se abrem mas não tem só glamour.

Se pudesse encontrar as pessoas que a hostilizaram...

Diria obrigada, obrigada e obrigada. Eu agradeceria porque as pessoas que quiseram me fazer mal, me atiraram pedras com as quais construí o meu castelo. Portanto sou extremamente grata a todos que me humilharam e me chamaram de puta."

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Fonte: Com informações da Revista Glamour