Gaby Amarantos diz que dar para ser sexy e gordinha: "Tinha dedo podre para homens"

Gaby Amarantos diz que dar para ser sexy e gordinha: "Tinha dedo podre para homens"

Gaby Amarantos deu uma entrevista para o colunista Leo Dias.

Rainha do tecnobrega, Shakira do Jurunas, Madonna da Amazônia, Björk do Brega e Beyoncé do Pará, a cantora paraense Gaby Amarantos, que se apresenta no Circo Voador na próxima sexta-feira, diz que hoje não teme pelos apelidos, principalmente o que a compara à cantora americana Beyoncé. "Por um tempo, tive medo que a personagem engolisse a Gaby, mas superei", confessa.

Dona do sucesso "Ex Mai Love", música de abertura da novela "Cheias de Charme", Gaby diz que não dá mais a menor bola para os seus ex-namorados. "Tem uns cinco que não valem R$ 1,99. Eu tinha um dedo podre pra homem. Hoje, não me preocupo tanto com os ex-my love", conta aos risos e jurando que está solteiríssima.

Nessa entrevista, Gaby fala de vaidade, conta quais foram suas inspirações na infância - da mãe a Tina Turner -, além de revelar para quem está torcendo na "Dança dos Famosos", quadro do "Domingão do Faustão" do qual Gaby participou e foi eliminada.


Gaby Amarantos diz que dar para ser sexy e gordinha:

Quem é seu ex-my love?

Ihhh, tem vários! Uns cinco e todos não valiam R$ 1,99. Eu tinha um dedo podre pra homem. Isso foi até 2009. Depois que pari meu filho, minha vida melhorou muito e não me preocupo tanto com os ex-my love.

Qual é a responsabilidade de ser considerada uma mulher tão influente?

Eu acho que estamos sacudindo o show business, nossa proposta musical é diferente, e isso nos deu um certo respaldo. Eu não esperava que uma artista como eu, tão nova, conseguisse tudo isso tão rapidamente.

Você acha que com tantos acontecimentos sua vida já daria uma biografia?

Com toda a certeza! O que não me falta são histórias pra contar. Tenho muito conteúdo, tenho muita história. Minha vida daria um filme bonito, sim. E eu ia surpreender o público.

Pensando desde a sua infância, que personagens inspiraram seu visual?

O que mais inspira meu visual é meu bairro. O Jurunas é outro país. É Índia com Peru e República Dominicana e um pouco mais. Tem de tudo! Além disso, minha mãe é minha principal referência. Ela era uma mulher que fazia vestidos malucos, diferentes, azuis, amarelos e que as outras mulheres não tinham coragem de usar. E eu era o bibelô dela, por isso não tenho o menor problema de ser o que sou hoje.

Alguns famosos também te influenciaram?

Sim. Tina Turner no filme "Mad Max", Boy George, com quem eu queria casar. O filme "Flashdance", a "Elvira, Rainha das Trevas" com aquele peito que girava, a Clara Nunes, o Ney Matogrosso - homem com voz de mulher - e a Maria Alcina - mulher com voz de homem.

Onde foi parar a Beyoncé do Pará? Você renega ou ela ainda existe em você?

Ela sempre vai existir, vai me acompanhar até o dia em que eu partir. Beyoncé é uma mulher linda, até digo que não tem nada a ver e fico lisonjeada com o apelido e a comparação. Beyoncé do Pará não foi algo que criei, nem sou vítima disso. Acho o máximo porque me abriu portas. Por um tempo, tive medo que a personagem engolisse a Gaby, mas superei esse medo. Já me chamaram de Shakira do Jurunas, Madonna da Amazônia, Björk do Brega...

O tecnobrega é um movimento autêntico?

É. E é um estilo de vida, é um comportamento. Eu traduzo essa linguagem, que é muito rude. A gente sofisticou sem perder a essência. O tecnobrega que eu faço é muito aceito. Tem gente que diz que só gosta do da Gaby. O que a gente fez musicalmente - com estúdio, banda e tudo mais - foi um salto enorme. Traduzimos o movimento para o grande público.

Você disse numa entrevista que cresceu ouvindo samba. Como foi essa transição até o tecnobrega?

Não houve transição. Minha pegada sempre foi de sambista, já fui intérprete de escola de samba. Samba é meu ritmo, sou uma cantora brasileira.

Você ainda é a voz da periferia, como disse que é?

Mesmo se eu não morasse no Jurunas, ainda me sentiria uma voz da periferia. Sou o grito de um povo que mora lá e que não se preocupa com as colunas sociais, se a menina não entra na calça de número 36... A gente não liga pra isso.

Você é religiosa?

Sim, sou muito espiritual. Rezo terço, vou à novena e gosto do sincretismo religioso. Adoro imagens de santos, amuletos, escapulários, leio a Bíblia, já fui a mesas brancas, frequentei terreiro de tambor, só não fui a uma igreja evangélica, porque não gosto, mas respeito.

Quem é a maior cantora brasileira pra você?

Clara Nunes. Ela sintetiza o canto, a expressividade do artista e tem um repertório lindo. Eu canto músicas dela no show. Não vim pra cantar Clara Nunes, mas a história dela me comove muito.

Que artista você ainda gostaria de conhecer?

Roberto Carlos, Missy Elliott e Gilberto Gil, que me lembra muito meu pai. Brinco com Preta Gil, dizendo que me sinto irmã dela.

Suas roupas mudaram de grife depois que você começou a fazer sucesso?

No início, era tudo muito tosco. Hoje tem grife, tem uma equipe para pensar os figurinos, minhas roupas tecnológicas. Eles me mostram e eu aprovo ou não.

Você é muito vaidosa?

Claro! Gosto de ficar me olhando no espelho o tempo inteiro. Sou leonina, do dia 1º de agosto. Muito vaidosa, com orgulho!

Te incomoda ser chamada de gordinha?

Não. Dá pra fazer sucesso sendo gordinha, há muitos exemplos por aí.

É verdade que toda mulher sempre quer perder seis quilos?

É verdade e eu ia gostar. Não quero ficar magra, não, mas estou perdendo alguns quilos num tratamento saudável. Além disso, viajo muito, faço shows, não durmo. Eu estava com problemas estomacais, gastrite, por isso também a dieta. Mas não é nada grave.

Você leva muitas cantadas na rua?

Os homens têm medo de chegar em mim. Quando estou a fim de alguém, eu tenho que chegar. Depois, eles sempre me dizem que eu assusto. Mas agora estou solteira mesmo.

Que disco você está ouvindo atualmente?

Ouço tanta coisa! Atualmente, um disco do Panthera, outro do Lucas Santtana e o disco novo da Nina Becker.

Pensa em criar uma marca com seu nome?

É algo que talvez esteja muito próximo, sim. As mulheres querem ser Gaby Amarantos, querem brilhar. Tem umas que querem usar algo que acenda. Acho a mulher brasileira tão linda, mas ela estava muito nude, apagada, minimalista, numa fase bem chata. Agora ela tá mais colorida, com mais coragem. Tô adorando!

Agora que você já saiu da "Dança dos Famosos", pra quem você está torcendo?

Na verdade eu tenho dois candidatos preferidos: a Bárbara Paz e o Rodrigo Simas.

Fonte: O Dia Online