Lelecomania: Ator diz que malandragem do coroa saradão encanta público de Av. Brasil

Lelecomania: Ator diz que malandragem do coroa saradão encanta público de Av. Brasil

“Eu tinha muito medo de fazer esse papel. Sou paulista, italiano, não tenho nada a ver com o Rio", disse Caruso

Ele não bebe cerveja, não joga sinuca, nem anda por aí com óculos na testa. Camiseta regata e cordão de ouro nunca fizeram parte de seu figurino. Mas, para dar vida ao malandro Leleco, Marcos Caruso, 60 anos, mergulhou de cabeça no universo suburbano carioca e acabou transformando seu personagem em um dos mais queridos de ?Avenida Brasil?. A cerca de um mês do fim da novela de João Emanuel Carneiro, o ator saboreia o sucesso e até a repentina fama de ?gostosão?, por causa da sua boa forma, mas confessa que chegou a pensar que não daria certo na pele do ex-boxeador.

?Eu tinha muito medo de fazer esse papel. Sou paulista, italiano, não tenho nada a ver com o Rio, muito menos com o subúrbio carioca. Não jogo sinuca, não bebo cerveja, não sou esse mulherengo. Sempre tive vergonha do meu corpo, era franzino, tenho peito de pombo. Para ganhar essa musculatura, foi um perrengue, tive que correr atrás?, conta, com os olhos cheios d?água, Caruso, que completa 40 anos de carreira em 2013: ?Estou muito feliz, porque acho que isso é um coroamento?.

O ator recorda a conversa que teve com o diretor de núcleo, Ricardo Waddington, que o chamou para viver Leleco. ?Eu falei assim: ?Esse papel não é pra mim, isso é erro de escalação?. Mas ele retrucou: ?Eu quero você! Você não quer fazer??. Respondi: ?Quero?. Gosto de fazer o que eu não sei, porque corro atrás. É um desafio muito grande na minha vida. Pensei: ?Pode ser uma pá de cal na minha carreira, posso fazer uma caricatura, posso não saber fazer?. E aí, quando você vê, está uma coisa muito louca, né??, emociona-se.

Para virar um típico suburbano, Caruso passou a frequentar o bairro Santíssimo, onde ficou hospedado na casa de Vinícius Marinho, com quem trabalhou na novela ?Cordel Encantado?, em 2011. Foi a bares e feiras, jogou sinuca e bebeu cerveja com os moradores. A incursão nesse universo fez o ator redescobrir coisas que imaginava ter perdido.

?O subúrbio é agregador. Você põe a cadeira na calçada no fim da tarde, reúne todo mundo ao redor de uma churrasqueira ou uma mesa de sinuca, você conhece todas as pessoas do bairro pelo nome. Já os bairros ditos mais nobres são desagregadores. As pessoas não olham no olho das outras no elevador. Não conheço todas as pessoas que moram no meu prédio, nem no andar! Essa forma de agregar, de conviver com o ser humano, eu quero trazer para a minha vida, o que eu já tinha, mas quero sublinhar cada vez mais?, diz.

A boa forma ele conseguiu com aulas de boxe e musculação duas vezes por semana. As caminhadas e exercícios na praia do Leblon, bairro onde o ator mora no Rio atualmente, também fazem parte da sua rotina. Outro dever de casa é pegar sol para manter o bronzeado de Leleco. ?Ando de bicicleta, vou à feira, sou igual a todo mundo. Não gosto de ficar nessa pose de ator, de sucesso, nada disso?, garante.

Na trama, Leleco levou um toco da gostosona Tessália (Débora Nascimento), que o flagrou no maior amasso com a ex-mulher, Muricy (Eliane Giardini). O namoro do malandro com a Rainha da Chapinha, cerca de 30 anos mais jovem, fez com que Caruso fosse invejado por homens de todas as idades.

?Os jovens acham um barato, eles se projetam no Leleco: ?Olha como posso chegar aos 60 anos bem assim?. E o cara de 60 está com a autoestima lá em cima, porque acha que alguém pode amá-lo verdadeiramente. Porque não é pegar, isso é amor?, analisa o ator, que está solteiro há dois anos. ?A novela está na contramão da vida ao mostrar um ex-casal de 60 anos, que namora dois jovens, mas volta a ser amante?, completa.

Não é só do povo, nas ruas, que Caruso tem recebido elogios pelo trabalho. Dia desses, ele estava jantando num restaurante da Zona Sul e foi abordado pelo cantor e compositor Chico Buarque, que fez questão de cumprimentá-lo. ?Nunca dei a mão para o Chico Buarque. Fiquei muito emocionado. Não acreditei que ele estava apertando a minha mão, aquela mão que escreveu tantas poesias e partituras?, vibra ele, que tem convivido bem com o assédio dos fãs. ?Aprendi com a Regina Duarte?, diz.

Fonte: O Dia Online