Monique: "Só transei pela 1ª vez porque estava doente e não queria morrer virgem"

Monique: "Só transei pela 1ª vez porque estava doente e não queria morrer virgem"

Em entrevista, apresentadora diz que está cansada das responsabilidades:

Quando Monique Evans encontra a reportagem de uma revista para entrevista, vai logo contando que está às voltas com a mudança para o Rio de Janeiro, prevista para acontecer até a segunda quinzena de maio. "Preciso encaixotar tudo, ver com quem vão ficar os meus bichos, colocar a casa para alugar... estou exausta", comenta ela, que vive sozinha em São Paulo.

O cansaço, porém, não tem a ver apenas com a mudança de endereço. "Eu só durmo, não sinto vontade de acordar. Estou desde os 14 anos tratando de tudo sozinha, chega uma hora em que você não quer mais, quero férias de responsabilidade", desabafa a ex-modelo e apresentadora, que em julho completa 56 anos.

Apesar da exaustão que diz sentir, Monique está prestes a se lançar em um novo desafio: recentemente, assinou contrato com uma editora para lançar sua biografia, que, segundo ela, irá resgatar sua história como uma das mais importantes modelos da segunda metade da década de 70. "A minha vida é muito louca. As pessoas só lembram do que tem na Internet em diante, mas minha vida é muito mais do que isso", afirma a apresentadora.

Em entrevista, Monique dá uma prévia das histórias que pretende contar em seu livro, e fala com a franqueza característica sobre, sexo, drogas, o estupro que sofreu na adolescência e a relação com a filha, Bárbara Evans. Confira abaixo os melhores trechos do bate-papo:

Biografia

Eu quero fazer este livro já há um tempão. Eu nasci em Ipanema, no Rio, cresci rodeada de artistas. Sou famosa desde os 14 anos, saí em 56 capas de revistas e nunca me senti celebridade. É muito história, são três décadas só de modelo e ainda tem a televisão. As pessoas só lembram da história recente, mas eu fiz Fantástico, Chico Anysio, novela, teatro, cinema. Tive um salão de cabeleireiro que também tinha curso de modelo onde muitas famosas como Nívea Stelmann, Taís Araújo e Susana Werner começaram. Tem toda a minha vida, que é muito louca. Enquanto eu vejo que na vida das outras pessoas não acontece nada, a minha Deus escolher para ser essa doideira toda. Casei aos 19 anos, fiquei viúva logo em seguida, tive câncer, me deram quatro anos de vida, ninguém acredita que estou aqui hoje. Então a biografia é para isso, para mostrar que eu não fui só o "Noite Afora" [ programa sobre sexo apresentado por ela no início dos anos 2000 ]. As pessoas só lembram do que tem na Internet em diante, mas minha vida é muito mais que isso. Minha filha, por exemplo, não sabe da minha história. Ela não deixa eu conversar com ela e não sabe nada, por exemplo, da minha trajetória como modelo.

Homens e sexo

De uns três anos para cá, não sinto necessidade de homem. Eu tenho tanta coisa para resolver, que não tiro um tempo para mim. Isso é totalmente errado. Há três anos que eu não malho, não viajo. Só tiro tempo para ver televisão e dormir. Eu só durmo, não sinto vontade de acordar. Não é depressão, é que eu estou desde os 14 anos tratando de tudo sozinha, chega uma hora que você não quer mais. Quero férias de responsabilidades. Por um outro lado, se eu tivesse um marido agora para me ajudar, teria que ter um tempo para dedicar a ele. E hoje em dia, os homens só querem te ver na hora de transar, eu não tenho paciência. Eu estou sozinha há três anos e não sinto falta de sexo nenhuma, porque eu não sinto falta nem de comer alguns dias, às vezes fico dois dias sem comer. Se você me perguntar qual homem eu acho bonito, eu não acho nada. Se você perguntar o que me motiva, a resposta é simples: nada me motiva, eu sou obrigada a acordar, a resolver as coisas. O que me faz bem é trabalhar. Sinto vontade, é minha válvula de escape. O que eu não curtia saindo, eu curtia trabalhando.

Depressão

Eu passei por uma fase de depressão, mas não estou em depressão agora. Estou precisando de alguma coisa na minha cabeça que me dê animo. Deve existir isso, não é possível. Nunca senti a pressão de ter que ser eternamente bela, mas de ter que resolver tudo, eternamente. Muitas vezes eu estive doente, deprimida, e tinha que ir ao médico. Só que o médico já disse que eu não posso dirigir, que estou completamente fora do eixo. Uma vez fui parar em Campinas voltando da consulta. Eu não tenho ninguém para me levar, e, no entanto, pessoas da minha família me cobravam, diziam que eu precisava me tratar. Porque essas pessoas não vinham me levar?

Bárbara Evans

A Bárbara é uma menina e é injusto fazê-la passar pelo que eu estou passando. Ela tem que viver a vida dela, curtir as coisas dela. Mas eu adoraria que ela decidisse o que quer da vida. Ela já começou três faculdades diferentes. A minha filha é muito infantil para a idade dela. Eu sempre fui tão super mãe, sempre dei tão conta de tudo. Eu errei com a Bárbara. Ela sabe que eu vou segurar a onda dela. Mas eu já cheguei e disse: "Olha, meu dinheiro vai acabar". Porque o dinheiro da minha aposentadoria é esse que eu estou usando agora, estou sem trabalhar há muito tempo. Ela posou para a "Playboy", faz alguns trabalhos, mas viaja, sai, faz compras, e não imagina que vai chegar uma hora que não vai mais poder ser modelo. Eu já disse para ela: "Quer ser artista? Vai fazer um curso de atriz". A Bárbara precisa entender que tudo que a gente faz tem a parte chata. Ela não gosta de esperar, nem sempre gosta de falar com a imprensa. Ela tem preguiça. Não pode, precisa acordar, correr atrás, fazer a parte chata também.

Estupro

Fui abusada quando era virgem. Tinha 14 anos, havia começado minha carreira como modelo e dois homens abusaram de mim. Eu nunca omiti nada da minha vida. Ser estuprada foi uma coisa que me marcou, tanto é que nos meus relacionamentos posteriores eu não queria perder a virgindade de jeito nenhum. Só transei com 18 anos porque estava doente, fui fazer uma cirurgia para descobrir se tinha um câncer e não queria morrer virgem. Imagina se eu morro virgem? Eu namorava o cara há um ano e nunca tinha visto "a coisa" dele. E olha que eu sou moderna, hein? Certas coisas eu não fazia mesmo depois de casada, chorava. Marcou muito sim.

Drogas

Na verdade, eu sou muito louca desde pequenininha. Sempre tive uma vida atípica, desde pequena, mas a droga nunca me atraiu. Mesmo maconha, eu fumei, mas depois tomei um monte de leite para ver se parava o barato. Passei por um processo na minha adolescência de ficar sem saber quem eu era, perdida mesmo. Eu não tomava nada e era daquele jeito, imagine seu eu tomasse alguma coisa?

Arrependimentos

Eu não tenho arrependimentos, mas gostaria muito de estar até hoje com uma pessoa do meu passado. Já tive grandes amores. Existe a fase da paixão, e depois do amor, que é mais calma. Quando chegava essa fase, eu achava que estava acabando, aí separava, começava um novo relacionamento. Eu não via que ia ser sempre assim. Você nunca vai encontrar um amor que você pire como na novela. Quando eu era nova, era muito ciumenta, então quando chegava essa fase do fim da paixão, eu achava que o cara ia me deixar e me trair, e por medo de ser traída eu terminava. Acho que não fui traída, mas nunca traí, porque acho muito errado. Eu não sou moderninha, não acho que o cara pode sair com outras. Tem algumas pessoas que marcaram muito a minha vida. Eu não posso falar quem são, tem uns casados, e as mulheres iam me matar, iam começar a olhar o telefone dos caras todos os dias.

Cirurgias plásticas

Eu acho que cirurgia plástica virou doença. Uma menina que tem menos de 30 anos e coloca botox, está doente. Eu fiz o peito quando tive câncer no braço. Tive que tirar todo o tecido mamário e colocar uma prótese maior. Botox eu uso, mas pouquíssimo, porque gosto da minha expressão. E tirei a papada, que está voltando. Fiz lipo quando era mais nova também. Quando eu mudar para o Rio, quero fazer o joelho, já que rompi dois ligamentos e não fui consertar, quero fazer cirurgia corretiva nos olhos, porque não aguento mais procurar óculos e quem sabe uma abdominoplastia. Minha mãe fez. Ela tira a roupa e está muito melhor do que eu.

Fonte: Quem, revistaquem.globo.com