Professor critica veto da Justiça a PETs de cerveja

Professor critica veto da Justiça a PETs de cerveja

Especialista argumenta que fabricação do produto já é permitida por lei

Durante oito anos, Carlos Alberto Rodrigues Anjos, professor da Unicamp, trabalhou para desenvolver uma embalagem PET que suportasse altas temperaturas, para embalar cerveja. Em 2006, finalizou seus estudos e, desde então, algumas cervejarias de pequeno porte adotaram o produto.

Agora, tudo pode estar perdido. Uma decisão recente da Justiça condicionou a produção das garrafas à liberação do Ibama, invocando o risco de possíveis danos ambientais. As ações partiram do Ministério Público Federal e foram julgadas separadamente em dezembro do ano passado e julho deste ano. Cabem recurso às duas sentenças.

O estudioso critica a decisão, por entender que não cabe ao Ibama fiscalizar algo que já é permitido por lei. Confira a entrevista dele.

Como o senhor avalia a decisão da Justiça?

O Ibama não tem como proibir, já que pela lei podemos usar esse tipo de embalagem. O que acontece é um problema de mercado, pois o plástico é um material que pode ser produzido dentro das próprias cervejarias. Não é preciso comprá-lo, como acontece com alumínio e vidro. Então, as pequenas empresas que produzem cerveja começaram a usar.

Se o plástico demora mais tempo para se decompor, não pode ser uma furada a garrafa PET de cerveja?

A garrafa PET em cerveja veio mais ser uma opção, e não para substituir o vidro ou o alumínio. A reciclagem no Brasil hoje é de pelo menos 50% (dos materiais). É um grande número. Há uma lei agora de resíduos sólidos que obriga municípios e empresas a criarem programas de proteção ambiental. Se a empresa provar que não está gerando impacto ambiental, não tem como o Ibama proibir (o engarrafamento e venda de produtos em PETs).

Em grandes eventos, como no carnaval de Salvador ou na virada de ano, o lixo nas praias não pode aumentar ainda mais com as PETs?

Isso acontece com todo o tipo de material plástico. Não é só o caso da cerveja. Ninguém reclama da enorme quantidade de PETs de refrigerante e de óleo que utilizam esse tipo material. No Brasil, são usados 1 milhão de detergentes diariamente, que também adotam o plástico, e ninguém fala nada. Para mim, isso parece mais um problema de concorrência de mercado mesmo.

Quais as vantagens da PET em relação à lata atual?

A PET para grandes festas é a melhor opção, já que possibilita, ao contrário da latinha, tampá-la. Na Copa do Mundo este ano, na África, estavam vendendo cerveja justamente nesse tipo de embalagem devido à segurança. Ela é leve e não oferece perigo algum de ferimento. O alumínio é um material cortante.

Fonte: Terra, www.terra.com.br