Turista sai com R$ 3 no bolso e passa por 37 países

Ele parabenizou o Brasil por sediar as Olimpíadas de 2016

Ele saiu de sua casa, no Japão, com US$ 1,5 (cerca de R$ 2,6) para fazer uma viagem de bicicleta pelo seu país. Mas a viagem acabou durando mais do que ele imaginava. Hoje, ele tem 2 mil euros no bolso - ganhos fazendo mágicas pelas ruas - e um álbum de fotos com registro de 37 países.

O viajante Keiichi Iwasaki, que está agora na Suíça, disse em entrevista por e-mail (num inglês um tanto complicado de entender) que só voltará para casa depois de dar a volta ao mundo. Ele parabenizou o Brasil por sediar as Olimpíadas de 2016 e disse que gostaria de estar no país nessa época - embora admita que talvez passe pelo Rio de Janeiro antes disso.

Veja abaixo a íntegra da entrevista com Iwasaki:

G1 - Por que você decidiu viajar de bicicleta?

Keiichi Iwasaki - Eu queria ver o mundo, e não é a mesma coisa quando se vai de avião, pois é muito rápido para ver tudo. Se eu for do Japão ao Brasil, eu só posso ver as cidades da minha janela.

G1 - Há quantos anos você está viajando?

Keiichi Iwasaki - Eu comecei a viagem em 15 de abril de 2001, quando tinha 28 anos. No primeiro ano, eu viajei pelo Japão, e em 2002 eu fui para a Coreia do Sul.

G1 - Quanto de dinheiro você levou e quanto você tem agora no seu bolso?

Keiichi Iwasaki - Quando comecei essa viagem eu tinha apenas 160 ienes (cerca de US$ 1,5) e não tinha nenhum cartão de crédito ou cheques de viagem. Eu ganhei dinheiro fazendo truques de mágica pelas ruas, como acabei de fazer onde estou, na Suíça. Ganhei 2 mil euros, e agora é a minha fase mais rica de toda a viagem, mas muitas vezes eu não tinha nem um centavo no caminho.

G1 - O que você leva com você?

Keiichi Iwasaki - Eu tenho uma barraca, um saco de dormir, roupas (até de inverno), coisas para cozinhar, panelas e um pequeno fogão. Também tenho material digital para registrar minha viagem. Tudo pesa quase 25 kg e é suficiente para viver. Quando eu comecei a viagem, eu só tinha uma faca e uma escova de dente e uma câmera, mas agora as coisas aumentaram, odeio isso.

G1 - Você tem planos para visitar a América do Sul e o Brasil? Quando?

Keiichi Iwasaki - Eu gostaria de ir para a América do Sul depois de ir à África. Estou ansioso para ir! Queria ver o Rio de Janeiro e o carnaval e acho que ver o Rio nas Olimpíadas - mas acho que passarei pela cidade antes de 2016.

G1 - Sua bicicleta é a mesma de quando você partiu?

Keiichi Iwasaki - Essa é a minha quinta bicicleta. A primeira foi roubada em Hong Kong, a segunda quebrou na Tailândia, a terceira quebrou na Holanda e a quarta foi roubada na Espanha. Sempre uso bicicletas simples, e até a terceira, não usava com marchas. Agora estou usando uma com três marchas, mas não é preciso uma bicicleta especial para se viajar.

G1 - Você trabalha nos lugares em que para?

Keiichi Iwasaki - Geralmente eu faço truques de mágica nas ruas e ganho o dinheiro para viver. É suficiente no verão. Ano passado eu estava no sul da Espanha e consegui ganhar dinheiro para o verão todo. Mas há dois anos na Hungria era inverno e estava frio demais para fazer apresentações nas ruas, então eu trabalhei em um hotel durante a estação.

G1 - O que você acha que aprendeu nesses anos de viagem pelo mundo?

Keiichi Iwasaki - Antes de começar a viagem eu tinha muito medo de conhecer outros países e hoje eu vejo que, apesar de a cultura e a língua serem diferentes, somos iguais. Além de ver a natureza, que é linda.

G1 - Quantos países você já visitou?

Keiichi Iwasaki - Depois do Japão, eu fui para Coreia do Sul, China e Hong Kong, Vietnã, Camboja, Tailândia, Malásia, Cingapura, Laos, Nepal, Índia, Bangladesh, Paquistão, Irã, Azerbaijão, Geórgia, Turquia, Grécia, Bulgária, Macedônia, Albânia, Montenegro, Croácia, Bósnia, Sérvia, Hungria, Eslováquia, República Tcheca, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Andorra e Suíça.

G1 - Você pretende voltar ao Japão? Quando?

Keiichi Iwasaki - Sim, após dar a volta no mundo eu gostaria de voltar ao Japão. mas não sei, acho que isso será daqui mais de cinco anos.

Fonte: g1, www.g1.com.br