Após retirar tumor, a musa do bodyboard pega ondas

Bete Pereira removeu um tumor de 4cm e, recuperada, tenta retornar às competições, entre bicos como faxineira, modelo e apresentadora no Havaí





O último inverno havaiano foi um recomeço para Elizabeth Pereira, uma baixinha que provoca espanto ao revelar sua idade: 34 anos. Mais espanto ainda quando conta com naturalidade que, em abril, estava dentro de uma sala de cirurgia, diante do risco de morrer ou de ficar paralisada. A bodyboarder retirou um tumor da cabeça. Aos poucos, foi ganhando confiança e voltando ao mar. Encarou Pipeline, o mais famoso pico de surfe do mundo. Sentiu, de novo, que estava de volta ao esporte.

Bete é uma personagem importante no universo do bodyboard. Além de competir, ela dava clínicas do esporte, participava de um projeto social e tentava organizar campeonatos no litoral sul de São Paulo. Em 2008, foi passar férias no Havaí e acabou ficando por lá.

No paraíso do surfe, um rotina pouco glamourosa. Assim como a maioria dos bodyboarders e surfistas que deixam o Brasil para morar no Havaí, ela se sustenta fazendo bicos. Mas o principal deles, a faxina - paga muito bem, ela lembra -, agora se tornou um risco por causa dos produtos químicos. Modelo fotográfica nas horas vagas, está tentando dar os primeiros passos na carreira de apresentadora de TV.

- Acho que o Havaí me salvou. Se morasse no Brasil, não sei se teria me preocupado em saber qual era o meu problema.

Era um dia de agosto de 2009. Bete, depois de pedir emprestado o carro do campeão mundial Paulo Barcellos, saiu do North Shore rumo a Honolulu, junto com uma amiga. Na estrada, desmaiou ao volante. Ao acordar, segundos depois, não se lembrava do que tinha acontecido. Voltou a dirigir e, imediatamente, a ser seguida por três viaturas policiais. A amiga, desesperada, gritava para que ela encostasse o carro no acostamento. Dentro do cérebro da bodyboarder, as informações pareciam não fazer sentido nenhum.

Bete foi levada a um médico, mas, do diagnóstico - um tumor benigno de 4 centímetros - até a operação foram necessários seis meses. O risco era tamanho que não foi possível retirar todo o tumor. Em vez de quimioterapia, preferiu tentar tratamentos alternativos. A cada cinco meses, é submetida a novos exames.

- Eu podia morrer na cirurgia ou então ficar paralisada, caso uma veia fosse atingida. Retiram 60% do tumor. Depois, uma médica, pensando no meu bem, claro, disse que eu ia morrer se não fizesse radiação. Controlo com medicina chinesa, homeopatia e dieta. Fiz o último exame em setembro. Está tudo ótimo, mas tenho que controlar isso pelo resto da vida.

Antes do incidente, Bete tinha certo medo do mar. Surfava com um olho nas ondas, outro no horizonte. Temia ser atacada por um tubarão. Um mês depois da cirurgia, quando tirou os grampos da cabeça, entrou pela primeira vez na água. Sem medo.

- Deitada na cama do hospital, quando vi todo mundo com cara de choro, jurei que, se tivesse uma chance de viver de novo, levaria uma vida muito melhor. Quero ajudar quem passa pelo mesmo problema. Voltar a fazer um trabalho social, mostrar que é possível se curar.

Fonte: Globo Esporte, www.globoesporte.com