Em dívida como técnico, Maradona ainda é "Dios" para súditos hermanos

Em dívida como técnico, Maradona ainda é "Dios" para súditos hermanos

Eliminação na Copa desgasta imagem do Pibe, mas ídolo completa 50 anos

Um dos principais ícones do futebol mundial completa meio século de vida neste sábado. Dono de uma biografia agitada dentro e fora dos gramados, Diego Armando Maradona chega aos 50 anos ainda como ídolo máximo dos hermanos, apesar da passagem frustrada como técnico da seleção. Depois da derrota por 4 a 0 para a Alemanha em 3 de julho, quando os hermanos perderam a chance de disputar uma semifinal de Copa do Mundo após 20 anos, o Pibe teve seu trabalho no comando da equipe de Messi & Cia. muito criticado. Mas os "súditos" argentinos ainda preferem separar o lado treinador da imagem de "Deus" do ídolo como jogador.

Após comandar o desconhecido Deportivo Mandiyú e o Racing em meados da década de 90, Maradona desembarcou na seleção argentina há cerca de dois anos, período em que pôde participar de sua quinta Copa do Mundo - a primeiro como treinador. Demitido do cargo em julho, o Pibe saiu por baixo e muito criticado. Boa parte dos torcedores discordou de suas decisões à beira do campo. As ausências de Zanetti, Riquelme e Cambiasso na lista de convocados para a África do Sul, por exemplo, foram pratos cheios para os corneteiros de plantão. Mesmo assim, o ex-jogador ainda é o ídolo máximo do país que tem até uma igreja em sua homenagem.

- É preciso lembrar que Maradona foi um Deus para a Argentina. Antes da Copa ele tinha muito apoio popular, e depois da eliminação apareceram opiniões contrárias a ele nas ruas. Quando falou que pretendia seguir no cargo, uma boa parcela dos argentinos foi contra. Mas eu acho que as pessoas ?maradonianas? serão sempre ?maradonianas?. São fanáticas por ele. A eliminação da Copa não foi o fim de uma relação. Até porque um outro treinador teria sido muito mais criticado se tivesse perdido o Mundial - diz Ezequiel Cogan, jornalista do diário ?Olé?.

Embora a imagem de ídolo tenha sobrevivido quase que intacta ao Mundial da África do Sul, o treinador Maradona não tem tanto prestígio quanto o mito que chegou ao auge na década de 80. O jornalista argentino Manolo Epelbaum, do SporTV, esteve no seu país natal durante a Copa e viu uma reação negativa dos torcedores.

- Eu via as pessoas com um sentimento de desilusão referente ao treinador Maradona durante a Copa. Lá se ouvia muito que ele era um treinador sem capacidade de dirigir uma seleção em uma Copa do Mundo e que a Argentina não poderia ter enfrentado a Alemanha daquela forma, de peito aberto. Além disso, o Messi não conseguiu repetir na seleção as atuações que tinha pelo Barcelona. Isso também motivou as críticas.

Fonte: Globo Esporte, www.globoesporte.com