Fla vence Náutico e alcança a segunda posição do Brasileiro

A vice-liderança conquistada fora de casa se deve muito a Adriano.

O Flamengo chegou. E nem adianta o técnico Andrade evitar falar em título do Campeonato Brasileiro. Se o assunto ainda é tratado com discrição por todos no Rubro-Negro, vai ter que mudar. Neste domingo, no estádio dos Aflitos, o time derrotou o Náutico por 2 a 0, pela 35ª rodada, chegou a 60 pontos e está a dois do líder, o São Paulo. A vice-liderança conquistada fora de casa se deve muito a Adriano. O Imperador foi novamente decisivo, comandou a equipe com autoridade e assumiu a artilharia isolada, com 19 gols (assista ao vídeo ao lado). Tudo isso em um dia para lá de especial para o clube. Neste 15 de novembro, o Fla completa 114 anos de história.

Reforçando o poder de chegada, o Fla assumiu a liderança do returno. São 33 pontos e dez vitórias, números idênticos aos do Cruzeiro. No entanto, os cariocas têm saldo de gols melhor: 12 a 10. Ao Alvirrubro, a dose de preocupação alcançou o limite. O time de Geninho continua em penúltimo, com 35 pontos, a seis do primeiro time fora do Z-4 (o Botafogo).

Na 36ª rodada, o Timbu enfrenta o Corinthians, em São Paulo, sábado, às 19h30m. No dia seguinte, o Fla recebe o Goiás, no Maracanã, no mesmo horário.

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Um grupo fechado e comprometido na busca pelo título. A imagem dos jogadores do Flamengo reunidos no gramado antes do jogo foi de provocar frio na espinha do torcedor do Náutico. Afinal, qual seria o plano rubro-negro no Recife? A esforçada dupla de ataque do Timbu não quis dar muito tempo ao rival. Aos 46 segundos, Carlinhos Bala recebeu na área com liberdade, mas o chute foi abafado por Bruno. Aos nove, o goleiro também levou um susto do xará Bruno Mineiro, que arriscou de fora da área.

No Fla, Petkovic andava sumido, discreto mesmo. Adriano não. O Imperador queria jogo, orientou o improvisado Ronaldo Angelim na lateral esquerda, alternou trombadas com os zagueiros Asprilla e Cláudio Luiz o tempo todo, chutou de longe, tabelou e pediu bola. Quando recebeu na área, aos 16, foi difícil ?domar? o cruzamento de Willians. O domínio indicava a famosa bomba de canhota para o gol, mas ele surpreendeu e rolou para trás. Gledson não conseguiu segurar o chute de esquerda de Léo Moura, e Pet, de plantão na pequena área, chegou rasgando com pé, canela e joelho para abrir o placar. Oitavo gol do sérvio no Brasileirão.

Na tentativa de empatar o jogo, Bala se posicionou bem na área adversária, não foi acompanhado de perto por David e quase empatou, aos 20. O Timbu chegou a marcar, seis minutos depois, mas a arbitragem anulou. Michel chutou de fora da área, Bruno praticou um milagre com os pés e deu rebote, que Cláudio Luiz aproveitou. O zagueiro de quase dois metros estava impedido. Apesar da marcação correta do auxiliar Alessandro Álvaro Rocha de Matos, o árbitro Sandro Meira Ricci ficou indeciso, conversou com o auxiliar, com outro bandeirinha e até com o quarto árbitro. Após quase cinco minutos, a anulação foi confirmada.

Adriano continuava infernal. Em nova investida pela esquerda, fez Gledson trabalhar. Objetivo, o Rubro-Negro conseguiu o segundo. Jogada bem trabalhada, toque de pé em pé, e bola na rede. Aos 46, Léo Moura encontrou Zé Roberto na ponta direita completamente livre. O cruzamento rasteiro superou as imperfeições do gramado dos Aflitos e encontrou Adriano sozinho na pequena área. Um toque, e o 19º gol do artilheiro do Brasileirão: 2 a 0.

Se o desespero tem cor, tinha duas nos Aflitos: o vermelho e o branco. Muito perto do abismo para a Série B, o Náutico reuniu as forças que lhe restavam para tentar reagir na partida. O início até que foi promissor. Aos três, Irênio chutou da entrada da área, mas Bruno espalmou bonito. Só que não bastava pensar no ataque. Um minuto depois, Léo Moura recebeu na primeira trave, girou o corpo e bateu forte. Gledson defendeu.

Adriano continuava bem, ainda mais com a situação confortável da equipe. Nos contra-ataques, as melhores chances. Uma foi inacreditavelmente desperdiçada por Zé Roberto. Aos 14 minutos, ele achou o Imperador livre na direita. O pique até chegar na cara de Gledson foi de tirar o fôlego e, assim como no primeiro gol, o craque surpreendeu. Quem esperava o chute viu um belo passe para o próprio Zé Roberto, quase na pequena área. Na cara do gol, sem goleiro, o meia acertou a bola com o tornozelo e isolou.

Geninho fez que o podia. Colocou os atacantes Anderson Lessa e Tuta, conseguiu pressionar e até chegar perto do gol. Juliano, aos 27, bateu de fora da área e fez Bruno se esticar para defender com a mão esquerda. Quando a bola entrou, aos 40, Anderson Lessa estava impedido.

Em estado de graça, Adriano por pouco não fechou o show em grande estilo. Depois de uma deixadinha espetacular no meio-campo, ele partiu para a área e esperou o cruzamento de Léo Moura. O chute de primeira, cheio de categoria, passou pertinho, mas foi pela linha de fundo. No dia dos 120 anos da Proclamação da República, o Imperador brilhou e comandou por 90 minutos.

Fonte: Globo Esporte, www.globoesporte.com