Emocionada, Jaqueline diz que vai sair do Pan com medalha

Ponta da seleção feminina de vôlei vai às lágrimas em entrevista coletiva e relembra o choque com Fabi


Jaqueline do vôlei diz que vai sair do Pan com medalha
Bem-humorada, emocionada, caminhando sem dificuldade, Jaqueline falou pela primeira vez à imprensa após o choque com Fabi, na estreia da seleção brasileira no torneio de vôlei do Pan de Guadalajara contra a República Dominicana. Ela está fora do Pan e também da Copa do Mundo que acontecerá a partir de 4 de novembro, no Japão, e valerá vaga olímpica. De acordo com o médico do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), João Grangeiro, a recuperação levará de quatro a seis semanas, período em que a jogadora só poderá retirar o colete cervical para tomar banho.

Com uma pequena fratura cervical, ela fez questão de tranquilizar a sua família e, nas duas vezes que tocou no assunto, foi às lágrimas. Disse ter ficado surpresa com a repercussão do caso e o carinho que recebeu. ?Queria agradecer, não imaginava um carinho tão grande, tenho recebido muito carinho, muito amor e isso é muito gratificante?, disse a jogadora, que ao comentar os dramas recentes que viveu, como a perda do seu bebê e o doping de 2007, que a fez perder o Pan do Rio, mostrou brio.

?A palavra exata é força, tenho muita, tenho desde pequena, minha família já passou por várias dificuldades. Isso que está acontecendo comigo é mais uma coisa que vou conseguir reverter. Sou lutadora, sou brasileira e não desisto nunca?, completou. ?A minha preocupação maior é a minha mãe, o Murilo já é mais tranqüilo. Não é fácil ver aquilo na TV. Quando estava na maca, pensei na minha família, pedi para ligarem para eles. Depois que falei com a minha mãe fiquei muito mais tranquila."

De acordo com Grangeiro, Jaqueline repetiu nesta terça-feira a tomografia que fizera logo após o incidente, o que segundo ele é rotina pois a atleta chegou a ficar inconsciente por alguns segundos.

Ele afirmou que não houve nenhuma alteração no exame, com resultado igual ao primeiro.

A jogadora disse que, no momento do choque, ficou nervosa por não sentir direito braços e pernas e, em seguida, ao ver todos ao seu redor bastante preocupados, passou a ficar ansiosa para falar com sua família.

?Já vi as imagens sim. Na hora do choque foi uma sensação que nunca tinha sentido, o corpo dormente e fiquei sem saber o que estava acontecendo. Quando comecei acordar e vi as pessoas preocupadas me deu um nervoso. A preocupação maior foi que não conseguia sentir os braços e as pernas, um formigamento por causa da pancada. Mas hoje estou super tranquila. Não poder avisar a família imediatamente foi o mais difícil e a melhor coisa é poder passar para eles agora que estou muito bem?, disse, sem segurar o choro.

Apesar de tentar mostrar que está bem, que o problema não foi tão grave quanto se imaginou em um primeiro momento, ela deixou transparecer o abalo por tantos dramas consecutivos. Afirmou que o

técnico Zé Roberto ainda a quer na Copa do Mundo e disse que vai tentar.

?Estou triste, pouco tempo que retornei, pude jogar um Sul-Americano, agora estou fora do Pan, mas estou torcendo. A minha torcida e a minha oração vai ser muito grande, mas essa equipe tem tudo para trazer o ouro e depois essa vaga para as Olimpíadas. Vou sair daqui com a medalha, não estarei jogando, mas estarei em espírito. O Zé não desiste muito fácil, então até o último momento que disser vamos tentar, ele vai tentar. Nunca desistiu de mim, quando perdi o bebê ele sempre me apoiou, então quando ele fala isso é pela confiança que ele sempre teve em mim. Quando voltar estarei muito mais fortalecida?, disse.

Ainda não está definido o retorno da jogadora ao Brasil, que deverá acontecer nos próximos dias. O COB está cuidando da logística e, de acordo com Grangeiro, não há nenhum impedimento para a viagem.

Fonte: IG