Novo Maracanã exige barba feita e uso de desodorante pelos funcionários

Plano de execução entregue ao governo enumera regras de etiqueta e descreve até whisky consumido pelo público-alvo em áreas de hospitalidade

A reforma do Maracanã promoveu uma mudança de conceito não apenas na gestão do estádio, mas na experiência proporcionada ao torcedor ao assistir uma partida de futebol. Ingressos mais caros, assentos confortáveis, telões de última geração, sistema de som idem, câmeras por todo lado, segurança privada no lugar de policiais militares e serviços bem diferentes dos oferecidos no antigo Gigante do Derby. Dentro da concessionária que venceu a licitação para a gestão do estádio pelos próximos 35 anos, a mesma estratégia é aplicada. O Complexo Maracanã S.A. incluiu, já no seu projeto de execução anexado ao contrato de concessão, regras para os funcionários que vão desde exigências por ?barba feita" e uso de desodorante à imposição de não ter tatuagens visíveis para trabalhar na empresa. No mesmo plano de execução, é descrito ainda o público alvo para as áreas mais caras do estádio. Indivíduos com casas de veraneio, cavalos e barcos próprios, que dirigem carros importados e consomem whisky de alto padrão.

No item 4.2.3.5 do plano de execução proposto pela concessionária, a empresa enumera regras de etiqueta para os seus funcionários, incluindo temporários. O documento cita que o funcionário tem ?apenas uma única oportunidade para causar uma boa impressão ao torcedor ou visitante do Novo Complexo. Assim sendo, a aparência se torna parte essencial para uma experiência inesquecível".

O texto segue dizendo que as normas de etiqueta devem ser seguidas sem exceções e ressalta que ?a etiqueta profissional não se restringe ao cabelo, barba e unhas, mas sim na apresentação como um todo do funcionário. Antes de apontar a lista de normas, o plano de execução diz ainda que não cumprir as regras de etiqueta implica em ações disciplinares.

passado, e sem alterações, com crachá do lado esquerdo do peito. O funcionário tem obrigação de providenciar sapatos antiderrapantes, ?seguros, em bom estado e limpos para o trabalho?, com sola de borracha. O documento veta o uso de broches e restringe os cortes de cabelo (bonés também aparecem como vetados, mas atualmente fazem parte do uniforme oficial dos orientadores em dias de jogos).

Para mulheres, ?cabelos mais compridos que os ombros serão mantidos presos em coque, trançado ou em rabo de cavalo. Para homens: corte profissional que não estenda cabelos na nuca ou cubra as orelhas. Qualquer corte extremo, desenhos e aplicação de tinturas excêntricas não serão permitidos. A discrição deverá ser mantida no local de trabalho?.

Resolvido o cabelo, a lista segue para a barba. Não é permitido funcionário com barba a fazer. Mas ?barba, bigode e costeletas serão aceitos se aparados uniformemente?. Unhas limpas são outra exigência e, para mulheres que resolverem pintá-las, que o façam em tons discretos. A preocupação da concessionária com o odor fica evidente no item seguinte: ?O uso de desodorante será essencial?. Perfumes são permitidos, ?porém a essência deve ser discreta?. Tatuagens e piercings visíveis são proibidos. Acessórios ?pequenos e discretos?. Somente um anel por mão é permitido, mesmo para mulheres, que devem usar ainda ?maquiagem discreta e natural?.

Por e-mail, a assessoria da concessionária Maracanã explicou que as medidas são necessárias para evitar ?desconforto?, já que o Maracanã recebe visitantes dos mais variados lugares e diferentes culturas.

- O Maracanã recebe pessoas de diferentes países, com manifestações culturais e religiões variadas. O que pode não ser ofensivo para um grupo cultural, pode desagradar a outro. A preocupação da concessionária é justamente não provocar nenhum desconforto em públicos mais sensíveis.

Fonte: G1