Por Libertadores, Grêmio dá carta branca e R$ 20 milhões a Luxemburgo

Amparado por Fábio Koff, treinador reverteu espaço reduzido que tinha com direção anterior: fez 13 compras, dispensas polêmicas e ampliou comissão.

Em entrevista ao site Terra Vanderlei Luxemburgo falou sobre uma particularidade de seu trabalho com o Grêmio em 2012: "pela primeira vez eu assino um contrato (...) mais curto e sem estar participando diretamente da gestão", declarou. A realidade imposta por Paulo Odone, ex-presidente, e Paulo Pelaipe, ex-diretor executivo, já não existe mais na Azenha. O Grêmio que estreia na fase de grupos da Copa Libertadores contra o Huachipato-CHI, nesta quinta-feira às 19h45 (de Brasília), tem as duas mãos do treinador que ainda persegue o primeiro título continental.


Por Libertadores, Grêmio dá carta branca e R$ 20 milhões a Luxemburgo

De Fábio Koff, presidente do Grêmio em suas duas eras mais vitoriosas na história (1982-83 e 93-96), Luxemburgo recebeu carta branca. Amparado por dois anos de contrato, teve aval para investimento na casa de R$ 20 milhões entre 13 jogadores contratados para o elenco que terminou o Campeonato Brasileiro em terceiro lugar. No fim das contas, as negociações são apenas um detalhe sobre como o treinador ampliou seu eixo de influência nos últimos três meses.

Depois de passagens relativamente decepcionantes por Santos, Atlético-MG e Flamengo, em sequência, Luxemburgo firmou com o Grêmio por alguns meses de contrato, reduziu sua expectativa salarial e só teve direito a incluir dois homens de confiança na comissão técnica: Antonio Mello, preparador físico, e Antonio Lopes Filho, auxiliar. Em 2013, o treinador deu uma virada no quadro.

A carta branca a Luxemburgo visa o título que o treinador, dono de cinco Campeonatos Brasileiros, não tem. Caso conquiste a Copa Libertadores, há uma cláusula contratual que dá a ele um prêmio de aproximadamente R$ 2 milhões. Seu salário, na casa de R$ 600 mil mensais e ainda top entre os técnicos brasileiros, é endossado pela carta branca de Koff. Entenda abaixo:

20 milhões para contratações em atacado

O Grêmio, terceiro colocado do último Brasileiro, supostamente já tinha um bom elenco. Ainda assim, Luxemburgo comandou uma reformulação que se tornou comum em alguns dos clubes em que trabalhou. Ao todo, 12 nomes foram contratados em um investimento de aproximadamente R$ 20 milhões. O 13º é o volante Souza, que estava emprestado pelo Porto-POR e teve 50% de seus direitos comprados por R$ 8 milhões.

Com Barcos e Vargas, deixou em segundo plano os dois maiores investimentos que a direção anterior havia feito para a temporada 2012. Marcelo Moreno foi colocado à disposição do Palmeiras, mas não aceitou. Kleber, contratado por mais de R$ 6 milhões e que tinha o maior salário do clube, também pode ser negociado. Principais artilheiros gremistas em 2012, Moreno e Kleber marcaram juntos 36 gols.

Dispensas e entreveros

Assessor de futebol nomeado pelo presidente Fábio Koff, Omar Selaimen pediu demissão nos primeiros dias de 2013. A versão dos bastidores dá conta de que Omar estaria insatisfeito por não participar das decisões do Grêmio, o que teria motivado atrito entre Luxemburgo e ele. As partes negaram o entrevero, mas o fato é que o treinador se tornou de vez a voz mais forte. Rui Costa, diretor executivo, é novato na função, e Vanderlei tem acesso direto ao presidente.

Foi com base na carta branca assinada por Koff que Vílson, por uma indisciplina em Quito, acabou dispensado por Luxemburgo. O zagueiro era titular na pré-temporada, estava no clube desde 2010 e até onde consta não tinha histórico problemático. Na saída, reclamou: "Esperava que tudo tivesse se resolvido internamente, mas infelizmente acabei exposto", disse à Rádio Bandeirantes com menção ao treinador.

Quem também criticou Luxemburgo foi o ex-lateral Wladimir, pai de Gabriel, que nunca foi bem aproveitado pelo técnico, rescindiu em janeiro e hoje é titular do Internacional. "Ele tem uma carreira confusa, basta verificar a história no futebol. Ele não tem moral nenhuma para falar do Gabriel", disparou Wladimir. Titular no último ano, Anderson Pico também foi afastado do grupo principal.

Poder de decisão na comissão técnica e pré-temporada

Se chegou ao Grêmio com poderes limitados no que diz respeito à comissão técnica, com apenas dois auxiliares - e se cogitou que fosse apenas um, Luxemburgo hoje tem carta branca também para definir seu staff.

Pouco depois de chegar ao clube, ele deu aval para que o ex-volante Emerson, até então um novato na função, se tornasse auxiliar. No início desse ano, pediu duas contratações: Nílton Petrone, o Filé, para fisioterapeuta, e foi atendido. Também quis Patrícia Teixeira, nutricionista que havia levado ao Atlético-MG. Ela permaneceu em Belo Horizonte, mas prestou consultoria ao Grêmio. Hoje, a comissão técnica gremista está entre as mais amplas do País.

Outro ponto em que Luxemburgo também quis intervir foi a pré-temporada. O Grêmio chegou a anunciar que a preparação seria em Londrina, como o treinador já havia feito com o Flamengo, no CT da SM Sports. O local é sociedade entre dois velhos conhecidos do técnico: Juan Figger, agente responsável por sua indicação ao Real Madrid, e Sergio Malucelli, que foi proprietário do Iraty de muitas negociações com o Santos durante a passagem do treinador em 2006/07.

Fábio Koff, entretanto, convenceu o treinador de que a pré-temporada deveria ser no Equador para melhor adaptação à altitude em função do confronto com a LDU Quito na primeira fase da Libertadores. Um dos poucos momentos, por sinal, em que o novo presidente se impôs.

Fonte: Terra