Portuguesa investiga se deve existir mesmo um “traidor” dentro do clube

A Portuguesa deve salários e direitos de imagens para jogadores que mantiveram, no campo, o time na primeira divisão.

O vice-presidente jurídico da Portuguesa de Desportos, Orlando Cordeiro de Barros, revelou nesta segunda-feira que a diretoria do clube está investigando internamente se realmente alguém recebeu a informação de que o meia/atacante Héverton tinha sido suspenso por mais uma partida pelo STJD e não informou à comissão técnica. O jogador entrou na partida contra o Grêmio e a Lusa foi punida com perda de quatro pontos e a consequente queda para a Série B do Campeonato Brasileiro.

?Estamos investigando internamente. É o mínimo que podíamos fazer desde que o promotor disse ter convicção de que o clube sabia da suspensão. Se houve ilicitude, temos que punir criminalmente e expulsar do clube. Temos que cortar a própria carne?, disse Cordeiro ao Blog do Boleiro.

O clima na Portuguesa de Desportos anda tenso desde a semana passada, depois que o promotor do Ministério Público do Consumidor, Roberto Senise Lisboa, disse que o clube sabia da suspensão do jogador Hérverton. à Folha de S. Paulo, ele afirmou que a informação do julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva teria chegado ao clube: ?Chegou o e-mail para a Portuguesa. Ele foi aberto e repassado ao departamento competente. A Portuguesa tinha ciência, isso é fato.?

Senise quer saber agora se houve algum ato ilícito. Ou seja, se alguém da própria Portuguesa teria levado alguma vantagem (financeira, por exemplo) em não informar a comissão técnica da suspensão. O técnico Guto Ferreira contou ao Blog do Boleiro que não tinha sido sequer informado que haveria um segundo julgamento na sexta-feira, dois dias antes da partida contra os gremistas.

Nesta sábado, no site da Lusa, a diretoria publicou uma nota onde garante: ?A Associação Portuguesa de Desportos vem a público esclarecer que recebeu no dia 03/12/2013 a comunicação de que o julgamento do atleta Héverton Duraes Coutinho Alves seria realizado excepcionalmente no dia 06/12/2013 (sexta-feira), antevéspera do jogo contra o Grêmio (RS), válido pela última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013.

A publicação da decisão no site da CBF se deu em 09/12/2013, às 18h45 (segunda-feira), e a Portuguesa só recebeu a comunicação da decisão da suspensão do jogador em 10/12/2013 (terça-feira). De acordo com o que constava no ?BID das Suspensões?, Héverton tinha condições de jogo, condição alterada somente com a publicação já mencionada acima.

Com isso, o clube mantém a versão de que não sabia da suspensão de Héverton por mais uma partida. Mesmo diante das declaração de Senise, Orlando Cordeiro se mantém cauteloso. ?O promotor Roberto Lisboa é um investigador experiente. Se ele tem esta convicção de que alguém dentro do clube cometeu um ato ilícito, ele deve ter algum indício, alguma prova?, disse.

Enquanto aguarda pelo relatório final do inquérito do Ministério Público, a Portuguesa de Desportos tenta descobrir se tem em suas hostes um traidor ou um funcionário relapso que esqueceu de avisar sobre a suspensão de Héverton.

Até o promotor Senise entregar o relatório, o clube enfrenta o que Cordeiro chama de ?limbo jurídico?. ?Não podemos fazer um planejamento para este ano se não sabemos se estamos na Série A ou Série B. Enquanto uma decisão judicial não determinar, não conseguimos fazer um planejamento. A imagem do clube está arranhada, sem falar nos problemas que a gente herdou?, afirmou referindo-se à crise financeira que o clube atravessa.

A Portuguesa deve salários e direitos de imagens para jogadores que mantiveram, no campo, o time na primeira divisão. ?Esta é a maior crise que o clube enfrentou em toda sua história?, falou o vice-presidente jurídico.

Fonte: Terra