Preparador de goleiros chama Marcos de insubstituível

Para o preparador é uma pena a saída do goleiro.

Em julho de 1992, Carlos Pracidelli recebeu no campo da Academia de Futebol do Palmeiras um jovem magro, alto e cabeludo que tinha como sonho ser titular na meta que já contou com Oberdan Cattani, Valdir Joaquim de Moraes e Emerson Leão.



Vinte anos depois, um abatido Pracidelli aparece para comentar a aposentadoria do seu pupilo mais famoso, a quem considera o melhor goleiro com quem trabalhou.

"Desde o ano passado já vínhamos conversando sobre a possibilidade de o Marcos encerrar a carreira. Perco um amigo, um companheiro que sempre esteve disposto a ajudar e que teve muita importância na evolução do Deola, do Bruno, do Fábio. Tanto no aspecto técnico quanto no pessoal", afirmou o preparador de goleiro, que já trabalhou na seleção brasileira treinando, além de Marcos, Dida e Rogério Ceni na Copa do Mundo do Japão e da Coreia, em 2002.

Pracidelli também trabalhou com Petr Cech, durante a rápida passagem de Luiz Felipe Scolari pelo Chelsea.

Segundo o preparador, o único motivo para o titular na conquista do penta parar foram as dores, por vezes insuportáveis, que ele sentia.

"Era muito difícil acompanhar o sofrimento dele. A cada treinamento eu via que ele queria jogar, queria ajudar o Palmeiras naquela situação difícil [o time ficou dez jogos sem vencer no Campeonato Brasileiro]. Ele se esforçava, mas a dor no corpo o impedia de fazer o que a cabeça mandava", recordou Pracidelli.

Questionado se com a aposentadoria do eterno camisa 12 a pressão sobre Deola aumentará, o preparador relativizou a questão.

"A pressão é sempre a mesma. Até porque ninguém vai substituir o Marcos, ele é insubstituível. Temos que trabalhar agora para conquistar um título e tirar essa pressão da cabeça dos meninos, do Deola, do Bruno, do Fábio...", comentou.

Pracidelli evitou comentar sobre o futuro do agora ex arqueiro, mas deixou claro que ser preparador de goleiro não se encaixa nos planos de Marcos porque o desgaste da função, que obriga a pessoa a passar o dia inteiro chutando bolas, seria prejudicial a ele.

"Eu vejo o Marcos com perfil de coisas maiores. Conhecendo o Marcos, sei que ele vai se preparar bastante para poder assumir uma nova função e desempenhá-la muito bem, com o mesmo sucesso que teve na época de jogador", finalizou.

Fonte: Folha.com