Xadrez Escolar chegou às escolas do Piauí e colhe bons frutos

Esporte que vira aprendizagem


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Há 12 anos em funcionamento, o Projeto Xadrez Escolar foi criado através dos Ministérios da Educação e dos Esportes e do Governo do Estado do Piauí, por intermédio da Secretaria Estadual da Educação e Cultura do Piauí. Ele foi implantado inicialmente em 40 escolas na Grande Teresina. Atualmente, o número saltou para 56. A prática do jogo facilita na memorização, tornando mais eficazes as execuções das atividades pedagógicas dentro e fora da escola.

O supervisor do projeto da Seduc-PI, Felinto Ribeiro, considerou que entre os objetivos do projeto estão o desenvolvimento das habilidades cognitivas e sociais como forma de possibilitar e garantir condições de transferi-las para a vida do aluno, priorizando sempre a aprendizagem dos conhecimentos administrados dentro da sala de aula.

“A prática proporciona aos professores e estudantes o estímulo e o prazer pela escola e pelos estudos, favorecendo, assim, uma melhoria na qualidade educacional, bem com amplia a capacidade de memorização, raciocínio lógico- dedutivo, resolução de problemas e sobretudo a criatividade.

O esporte ainda ajuda a melhorar o desempenho escolar em todas as áreas do conhecimento e, em particular, na matemática, além de uma maior compreensão para solucionar problemas pela análise do contexto geral em que os alunos estão inseridos. Para a professora de Xadrez e Matemática do Centro de Ensino Médio de Tempo Integral, João Henrique de Almeida Sousa – CEMTI, onde o projeto foi implantado desde 2009 e que vem se destacando nos últimos anos, o esporte tem um impacto direto na vida escolar dos alunos. Geisylene Pereira afirmou que o xadrez entrou na carga horária dos estudantes uma vez por semana.

“A ideia nasceu primeiro para eles terem uma atividade lúdica diferente das aulas, para eles se acostumarem com a ideia das aulas em tempo integral e, a partir disso, eles passaram a ter mais concentração, raciocínio lógico e paciência ao ler um texto ou uma questão, além de proporcionar a oportunidade de participar dos Jogos Escolares do Piauí”, destacou.

Ela afirma que os alunos são orientados desde os primeiros fundamentos do jogo de xadrez, em que cada peça é introduzida por vez, até que eles começam a praticar as jogadas especiais com o tabuleiro completo e vão aumentando o nível. Ela lembrou que a escola tem uma aluna, inclusive, tricampeã de xadrez escolar do Piauí.

A professora afirmou que a Seduc ofereceu um curso de capacitação de xadrez para os docentes de Matemática e Educação Física e, a partir de então, foi implantado o projeto na escola, e desde o ano passado a pratica funciona como disciplina com provas realizadas bimestralmente. As notas são somadas às provas de Matemática para retirar a média da disciplina. A medida foi adotada pela escola como forma de atrair a atenção dos alunos.

A professora destaca ainda que o xadrez reflete na vida pessoal dos jovens. “Eles aprendem a respeitar o colega, aprendem a perder e ter maior interação uns com os outros. Dessa forma, os alunos convivem em harmonia, sem brigas”, considerou. Ela defende a implantação do projeto em todas as escolas do Estado, devido ao ganho intelectual e pessoal na vida dos jovens estudantes.

Da brincadeira à vitória 

Além de contribuir no desenvolvimento da lógica, o xadrez também desenvolve ampliação na capacidade de tomar decisões, sociabilidade, responsabilidade, consciência de deveres. Aos 17 anos, Camila da Silva Santos já é tricampeã de xadrez escolar na categoria Infanto e é a prova de que o tabuleiro, além de ser uma distração, pode proporcionar, a ela, alçar voos muito maiores.

Ela conta que tudo começou por curiosidade e brincadeira, antes mesmo de iniciar no projeto, mas foi a partir das aulas que passou a aprimorar a sua técnica e hoje representa o Piauí nos principais torneios de xadrez no Brasil.

“Não é só a questão de viajar, mas de conhecer novas culturas, conhecer novas pessoas, auxiliar no aprendizado e representar bem o meu Estado”, disse a estudante, que já viajou ao Ceará, Paraíba, Pará e Paraná para participar de campeonatos. Segundo a jovem, devido ao jogo, ela não precisa se esforçar tanto em aprender algumas disciplinas, por ter mais facilidade de assimilar o conteúdo. A professora Geisylene Pereira declarou que a jovem serve como inspiração e referência para os outros alunos. A própria estudante, que vai prestar vestibular neste segundo semestre para o curso de Direito, disse que quer voltar ao CEMTI no próximo ano como monitora da disciplina.

“Eu quero muito poder compartilhar meus conhecimentos e mostrar que todos somos capazes, porque eu não imaginava que eu, saindo de uma escola pública, pudesse competir com alunos de outras instituições privadas, e agora vi que é possível, e da mesma forma que eu consegui, tenho certeza que outros também podem chegar lá”, pontuou.

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Fonte: Waldelúcio Barbosa - Jornal MN