70% do tráfico está na zona Norte da capital do Piauí

70% do tráfico está na zona Norte da capital do Piauí

No ano passado, 295 pessoas foram presas acusadas de envolvimento com o tráfico.

O tráfico de drogas em Teresina tem apresentado dados alarmantes na capital nos últimos anos, sobretudo pela quantidade de pontos de venda da droga e a violência gerada em consequência dessa prática. Segundo o delegado de Entorpecentes, Samuel Silveira, apesar das grandes operações para desarticular quadrilhas, o tráfico ainda está presente, sendo 70% dele concentrado na zona Norte de Teresina.

No ano passado, 295 pessoas foram presas acusadas de envolvimento com o tráfico. Além disso, 150kg de drogas foram apreendidos em operações realizadas pela Polícia Civil do Piauí. Parece pouco frente à grande quantidade de entorpecentes que entram no estado e de pessoas envolvidas nesse mundo, mas o delegado garante que não é uma tarefa fácil.

?O fato de se concentrar numa região, só leva a crer que é mais sedimentado. E em vez de facilitar, dificulta. Você pode observar o volume de operações que já aconteceram e mesmo assim não desarticulou. É um trabalho complexo e difícil, leva meses de investigação?, afirma.

Uma das maiores dificuldades em se conseguir acabar com as bocas de fumo se dá pelo envolvimento de uma rede articulada, que envolve famílias, jovens adolescentes e mulheres, que acobertam o crime. Hoje em dia, as bocas de fumo não estão só na periferia, em casas simples, cenário típico das chamas bocas de fumo. Hoje, a rede do tráfico tem grandes estruturas que escondem um verdadeiro arsenal.

E o poder que se consegue com o dinheiro da droga também contribui para fortalecer o tráfico, negócio que movimenta milhões de reais a cada mês. Na Operação Poty, por exemplo, realizada em agosto do ano passado pela Polícia Civil, as 21 pessoas presas acusadas de comandar o tráfico de drogas na região tinham em posse casarões, carros de luxo e até um minishopping center.

Toda a riqueza era fruto não só do tráfico, mas principalmente de outras atividades criminosas, como roubos, assaltos, bem como lavagem de dinheiro e arrombamento a caixas eletrônicos. Este ano outra operação, a Suricate, também conseguiu sequestrar 20 residências no bairro Primavera, conhecidas como quartel do tráfico, e prender doze pessoas de um total de 20 mandados de prisão.

As investigações, realizadas já identificaram o comandante do tráfico na região. Anderson Cleiton Alves da Silva, mais conhecido como Cleiton Ventão, ainda está foragido, mas continua na mira da polícia.

Droga faz três vítimas a cada fim de semana

O envolvimento com o mundo das drogas traz sempre consequências ruins a todas as partes. Muitas vezes, brigas e mortes são ocasionadas pela disputa do poder do tráfico, pelo desejo do consumo da droga ou até mesmo por dívidas geradas pelo negócio.

Para o comandante do policiamento da capital, coronel Albuquerque, o tráfico chega a ser o ?crime mãe? de todos os outros, o que contribui para o aumento das estatísticas da violência. Sinal disso é a quantidade de homicídios que acontecem durante um final de semana.

?Pelo menos três crimes dolosos durante um final de semana são motivados pela droga. Isso já é um fato. A droga tem o poder de desencadear uma série de crimes, de pequenos furtos a mortes. E o perfil dessas vítimas são os mesmos: ou são envolvidos com o tráfico, ou tem passagem pela polícia, ou já cometeram outros crimes como o próprio homicídio. E a lei do tráfico é dura: deveu, não pagou, morreu?, avalia o coronel.

O viciado, para conseguir suprir o seu vício, não vê outra alternativa a não ser roubar, quando os objetos de casa já não foram usados para comprar a droga. Como consequência disso, encontra-se indivíduo, família e lar desestruturados.

A desarticulação do tráfico de drogas, de fato necessita bem mais que prisões e apreensões. Clínicas de tratamento para o dependente químico, bem como formação de barreiras e intensificação de fiscalizações nas entradas do estado poderiam reduzir significativamente esses índices.

Segundo o coronel Albuquerque, a Polícia Militar também tem dado a sua contribuição nessa questão. Além de atuar de maneira preventiva e repressiva, estabeleceu como meta diária a desativação de pelo menos uma boca de fumo.

?Mas a questão é bem mais complexa, não é tão simples. Tem que haver não só por parte dos órgãos policiais, mas ações de outros órgãos para minimizar o problema. Não cabe só à polícia prender. É necessário que a pessoa que estava traficando a droga, seja responsabilizada, tem que ter prejuízo financeiro. Na hora que a polícia chega na boca de fumo, já chega 2 ou 3 advogados. De onde provém isso? A estrutura física de uma determinada residência é nenhuma e lá tem três advogados que chegam de imediato? São fatos a considerar?, comenta.

Fonte: Nayara Felizardo