Tambor com água é vendido por até R$ 100 no semi-árido do Piauí

Pelo menos 110 municípios estão passando por racionamento de água no interior do Estado

Os moradores do semi-árido piauiense estão comprando água por conta da seca. A denúncia é da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Estado do Piauí (Fetag), que estima que pelo menos 110 municípios do Piauí estejam passando por racionamento de água. Um tambor de aproximadamente 10 mil litros é vendido em média a R$ 100,00.

O líquido é vendido por proprietários de carros-pipas que trabalham na região. De acordo com o secretário de Política Agrícola da Fetag, Manoel Simão, que fez uma visita a essas comunidades, à medida que as chuvas se tornam escassas aumenta o valor do recipiente de água. "Varia de vendedor e do tipo de transporte que é armazenado o produto. E quando a seca aumenta, a água passa a ser vendida por um valor ainda maior ", destacou.

Segundo Manoel Simão, são vários os municípios em que os moradores são obrigados a comprar água para sobreviver, mas destaca os municípios de Paulistana, São Francisco de Assis, Morro Cabeça no Tempo, como os mais prejudicados com a situação da seca.

Ele denuncia, ainda, que algumas famílias residentes na zona rural chegam a caminhar quatro quilômetros para conseguir água. Segundo a Fetag, a Defesa Civil do Piauí anuncia que recebeu decretos de emergência de 76 municípios do Estado, mas a estimativa é de que mais municípios padeçam com a falta de água.

A Secretaria Estadual da Defesa Civil pretende acabar com a utilização dos carros-pipa para abastecimento de água em municípios do Piauí. Segundo o secretário Fernando Monteiro, a ação, chamada de desmobilização, deve atuar em 25 municípios e o investimento será de mais de R$ 6 milhões, através da perfuração de poços e construção de sistemas de abastecimento de água. "Estamos planejando um socorro emergencial para as comunidades que precisam de água e também agir com ações preventivas", explicou.

Segundo ele, estas ações preventivas vêm sendo adotadas todos os anos e, mesmo assim, a utilização dos carros-pipa é indispensável em alguns municípios como Marcolândia, que não possui água subterrânea nem riachos.

Fonte: Carolina Durães, Jornal Meio Norte