Acesso a crédito para microempreendedores melhora economia local

Dessa forma, estimula a economia local e desenvolve a cidade

Um apoio financeiro representa muito na criação ou manutenção de um pequeno negócio. A política de microcrédito, desenvolvida pelo Banco Popular de Teresina, ajuda o microempreendedor a sustentar e ampliar seus negócios. Somente no primeiro semestre deste ano, R$ 1.677,618,57 foram financiados, distribuídos em 1.200 contratos devidamente formalizados por pequenos empreendedores da capital, nas linhas de capital de giro e máquinas e equipamentos.

O banco, departamento da Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest), vinculado à Prefeitura de Teresina, fechou o ano de 2014 com o saldo positivo, já que foram liberados quase R$ 3 milhões, o que gerou a formalização de 1.315 contratos. Esses dados, se comparados ao do ano anterior, quase dobraram.

De acordo com Michel Sena, gerente do banco, os empréstimos têm dado contribuições significativas para o desenvolvimento econômico de pequenos empreendedores teresinenses. “O banco vem beneficiando os microempreendedores que atuam tanto no perímetro urbano quanto na zona rural da cidade, sendo uma alternativa para terem fácil acesso ao microcrédito”, explica ao frisar que, desta forma, eles melhoram seus negócios e têm o seu próprio capital de giro.

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Dentre os setores responsáveis pelo maior número de financiamentos estão o de confecções, cosméticos, venda de alimentos, mercearia e salão de beleza. Maria José Rodrigues se enquadra na área de venda de confecções. Ela trabalha diariamente no 1º piso do Shopping da Cidade e tem acesso ao empréstimo do Banco Popular há 10 anos.

“Já comprava mercadorias com o dinheiro do banco quando ainda trabalhava na Rua Álvaro Mendes”, comenta a empreendedora de 72 anos. Com o dinheiro do financiamento, ela faz todas as compras à vista, para que fique devendo apenas o empréstimo.

“Nada de fiado e o que vou vendendo começo a juntar para pagar as prestações do empréstimo dentro do prazo estabelecido”, relata.

Ao final do pagamento de todas as parcelas, a empreendedora se prepara para pegar ajuda do banco novamente.

“Sempre pego R$ 2.500 e invisto em novas mercadorias. O dinheiro da venda delas dá para eu pagar a parcela do empréstimo, pagar o aluguel do ponto no Shopping da Cidade, que é de R$ 200, e tirar meu lucro”, comemora.

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Requisitos para fazer pedido de empréstimo

Os requisitos para ingressar com o pedido de empréstimo no Banco Popular são: não apresentar restrição no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), ser pequeno empreendedor, ter avalista e apresentar comprovante de renda.

A documentação necessária é cópia do RG, CPF, comprovante de endereço no nome do proponente com CEP atualizado e cópia do cartão da conta bancária. “A cópia do cartão de crédito é para termos certeza que o dinheiro será depositado na conta bancária da pessoa que solicitou o empréstimo”, explica o gerente do Banco Popular.

Ele destaca, ainda, que o banco pede algumas garantias, como avalista. Este tem duas modalidades: o aval simples e o solidário. “O aval simples é um avalista que comprove renda, já o solidário é um outro empreendedor que também quer tirar empréstimo no banco e um se torna avalista do outro”, ressalta Michel Sena. A única restrição para o avalista é que ele não more no mesmo endereço do proponente, para não haver o comprometimento da renda familiar.

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Banco estimula crescimento dos pequenos negócios

O valor do empréstimo a ser fornecido ao empreendedor é cuidadosamente calculado, sendo uma quantia máxima de R$ 2.500 e a parcela não poderá ultrapassar 30% do valor da renda de quem o solicita. Desta maneira, o banco cumpre o papel de atender somente o microempresário.

Segundo o secretário da Semest, Olavo Braz, o Banco Popular apoia o microcrédito, não de forma generalizada, mas o microcrédito localizado na produção e comercialização da pequena produção, e em especial aqueles que já estão sendo apoiados pela própria prefeitura, como centros de produção, lavanderias comunitárias, o Shopping Natureza e também o Shopping da Cidade.

“O Banco Popular tem esta missão, ele não é concorrente das agências multilaterais ou das agências oficiais de microcrédito, ele apoia o menor e quando ele apoia estas pequenas produções, apoia, sobretudo, a mão de obra familiar”, destaca Olavo ao ressaltar que o banco beneficia milhares de empreendedores, o que termina movimentando a economia de Teresina.

“Temos a compreensão consolidada de que esta pequena produção tem como papel principal abastecer o mercado local. Numa cidade como Teresina, com quase 1 milhão de habitantes, este mercado, em qualquer aspecto que seja analisado, tem crescido”, completa Olavo.

Antes de autorizar o financiamento, o banco faz uma análise da capacidade de pagamento do proponente.

“Fazemos uma visita até o empreendimento e lá aplicamos questionários. Em cima destes questionários, vendo o que ele está vendendo por mês, o que ele tem a receber, fazemos um cálculo da capacidade de pagamento e definimos o valor do empréstimo”, explica o gerente Michel Sena.

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Taxa de juros é uma das vantagens

O banco trabalha com duas linhas de financiamento: capital de giro e máquinas e equipamentos. No capital de giro o cliente pode parcelar em até 8 vezes, com taxa de juros de 1% ao mês. Na de máquinas e equipamentos, ele pode parcelar em 24 meses, com juros de 1% e carência de 90 dias para começar a pagar. Além destas facilidades, o Banco Popular oferece outras garantias.

“A vantagem do Banco Popular é a menor burocracia, não precisa ter conta no banco, e a taxa de juros. Hoje, no mercado, tirando o Banco Popular, a menor taxa está de 1.4% e vai até 2.30% ou 2.60%”, explica Michel Sena.
Atualmente, 75% dos clientes do Banco Popular são mulheres, isso garante um maior desenvolvimento das famílias.

Em geral, estas mulheres, ao pegarem o dinheiro, investem na melhoria habitacional, na educação dos filhos e, consequentemente, melhoram a cidade. “Elas promovem o crescimento dos negócios delas, muitas começaram no fundo de casa e hoje já estão estruturando seus negócios”, relata o gerente do banco.

Zenaide Gomes dos Santos se inclui nestas estatísticas. Aos 46 anos, ela vende relógios e confecções no atacado em seu box, que fica no térreo do Shopping da Cidade. Antes de fazer parte do grupo de vendedores do local, ela trabalhava no calçadão. “Quando estava perto de mudarmos para estes pontos, fiquei sabendo desta linha de crédito e comecei a melhorar meu negócio. Tenho como investir e depois faço um controle para ter lucro e pagar as parcelas”, afirma.

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Fonte: Aline Damasceno