Água do rio Poty é igual à do esgoto, diz levantamento

Água do rio Poty é igual à do esgoto, diz levantamento

A constatação foi feita a partir de pesquisas realizadas na Universidade Federal do Piauí.

O assoreamento e a poluição dos dois rios que atravessam a cidade de Teresina é visível. As coroas de areia e o mal cheiro tornam-se mais evidentes nesse período em que o Estado enfrenta uma das piores secas dos últimos anos. Um das consequências afeta diretamente as águas do rio Poti, que adquirem características físico-químicas semelhantes às dos esgotos da capital.

Durante dois anos, o professor e pesquisador do Departamento de Química da UFPI, Edmilson Miranda Moura fez o monitoramento do rio Poti e concluiu que os esgotos das indústrias são jogados clandestinamente nas galerias comuns, fazendo com que a sujeira chegue ao rio sem qualquer tratamento.

Segundo Edmilson, a carga de material orgânico despejada diretamente nas águas do Poti é preocupante. ?As retíficas de automóveis poluem muito com metais e óleos que são jogados clandestinamente nas galerias domésticas, que por sua vez, desembocam nos rios?, afirma o pesquisador.

A galeria que mais polui o rio Poti, de acordo com as amostras de água coletadas por Edmilson, é uma localizada na região do Grande Dirceu. Além das indústrias, muitos moradores jogam matéria orgânica em decomposição, como animais mortos. ?Por conta desses detritos, alguns peixes costumam ficar próximos para se alimentar e são pescados pelos moradores da região?, afirma Edmilson.

Isso significa que a poluição do rio está prejudicando os seres humanos não apenas de forma indireta. Com as águas do Poti se assemelhando às dos esgotos, a contaminação dos peixes é inevitável. Ao se alimentar desses animais, os moradores também podem adquirir doenças graves.


Água do rio Poty é igual à do esgoto, diz levantamento

Construção de hidrelétricas ameaça o rio Parnaíba

No próximo dia 25 de outubro acontece o leilão das quatro novas hidrelétricas que serão construídas no rio Parnaíba, mais especificamente nos municípios de Ribeiro Gonçalves, Floriano, Amarante e Palmeirais. A má notícia é que as obras podem representar o fim do rio Parnaíba.

Para a ambientalista Tânia Martins, com a implantação das hidreléticas, o Parnaíba corre o risco se transformar em pequenas lagoas e de perder a perenidade. ?Ele é o bem mais importante do nosso Estado e, se perdermos, o Piauí vai se transformar em um grande deserto?, acredita Tânia.

A solução para evitar esse problema estaria na revitalização da bacia do rio Parnaíba, que está presente em 223 municípios piauienses. Segundo Tânia Martins, há pelo menos uma década a sociedade civil organizada tenta aprovar a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Parnaíba. A entidade deve ser formada pela sociedade, pelo governo e pelos usuários de água, que são as indústrias. ?O comitê seria responsável pelo planejamento de todas as ações envolvendo as bacias do rio, mas infelizmente nós esbarramos na burocracia do órgãos públicos?, lamenta Tânia.

Qualidade da água das barragens será monitorada

Está em fase de implantação um programa de monitoramento de 16 barragens do semiárido piauiense. Somadas, elas representam um volume de 1 bilhão de metros cúbicos de água. A análise pretende descobrir se a qualidade do líquido é adequada à demanda para a qual se propõe.

O superintendente de recursos hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Demócrito Barreto, afirma que serão coletadas amostras de água em vários pontos das barragens. ?Vamos avaliar as características físico-químicas, como a quantidade de minerais, bactérias e algas presentes na água?, disse Demócrito.

Por enquanto, o programa encontra-se na fase de aquisição dos equipamentos, como o barco de alumínio que vai facilitar a coleta das amostras de água nos reservatórios de Algodões II; Barreiras; Bocaina; Cajazeiras; Caldeirão; Corredores; Estreito; Ingazeiras; Jenipapo; Mesa de Pedra; Pedra Redonda; Petrônio Portela; Piracuruca; Poços; Poço do Marruá e Salinas. O prazo para encerramento do projeto é de dois anos.

Fonte: Nayara Felizardo