Amamentação reduz 13% de mortes em crianças menores de cinco anos

Número maior do que o evitado pela vacinação ou pelo saneamento.

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Além do laço de amor, a amamentação é a principal forma de fornecer ao bebê os nutrientes necessários para sua sobrevivência e seu desenvolvimento.

O leite materno, segundo o Ministério da Saúde, é capaz de reduzir em 13% as mortes por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos, número maior do que o evitado pela vacinação ou pelo saneamento básico.

Hoje, 1º de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Amamentação, data criada em 1992, pela Aliança Mundial de Ação pró-amamentação com a finalidade de promover o aleitamento materno e a criação de bancos de leite. A data é comemorada dentro da Semana Mundial de Aleitamento Materno, que ocorre em 120 países anualmente entre os dias 1º e 07 de agosto.

Nos primeiros seis meses de vida, deve ocorrer o aleitamento materno exclusivo, sem a complementação com nenhum alimento. De acordo com a nutricionista da Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), Maria do Carmo Pinto, a amamentação deve continuar até os 2 anos junto com alimentação complementar.

“Toda mãe tem um leite materno completo, com todos os nutrientes. Não existe leite fraco. Muitos bebês não conseguem ganhar peso com o leite da mãe porque ela tem uma boa produção e o bebê acaba mamando só o leite (água e sais minerais) e ingerindo leite posterior (gordura)”, explica.

No leite materno, a criança encontra não só as substâncias necessárias para a sua nutrição, mas também anticorpos fundamentais para protegê-la no início da vida. Estudos comprovam que a mortalidade por doenças infecciosas é menor em crianças que são amamentadas.

O leite materno também garante proteção contra infecções respiratórias, evita casos de diarreia e o seu agravamento, além de diminuir os riscos de alergia.

Estoque de leite fica abaixo da demanda

No Piauí, o Banco de Leite Humano da Maternidade Dona Evangelina Rosa, que atende desde dezembro de 1987, realiza um trabalho intenso de incentivo às mães, buscando manter o estoque necessário para desenvolver diariamente todo o processo para salvar vida de bebês prematuros. A MDER concentra em média 80 bebês prematuros internados, que necessitam de doações de leite humano para sobreviver.

Por dia, a Evangelina Rosa precisa coletar pelo menos 8 litros de leite, mas a quantidade não chega à metade. O estoque do banco sempre fica abaixo da demanda. "A necessidade diária é de 8 a 9 litros.

Os coletados variam, as vezes é três, outras vezes é cinco e sempre depende do número de doadoras", destaca Maria do Pinto ao comentar que, para doar, basta que a mãe ligue para o Banco de Leite (0800-280-2522 OU 3228-2022) e a equipe vaio até a casa deixar o kit e depois retorna para pegar o leite coletado.

Mães não amamentam devido dificuldades

De acordo com Kalynny Matos, Fisioterapeuta e Consultora em Aleitamento Materno, existem dificuldades na amamentação, o que fazem muitas mães desistirem de amamentar. "As principais dificuldades na amamentação estão relacionadas à pega, posicionamento do bebê, produção do leite e fissuras na mama", elenca.

Números do Ministério da Saúde sobre aleitamento materno exclusivo no Brasil mostram que, no final do primeiro mês de vida, menos da metade (47%) dos bebês é alimentada apenas com leite materno.

O restante ganha complementos, como água e chá, apesar das campanhas que alertam que nenhum desses recursos é necessário.

"Para diminuir as dificuldades, a gestante deve ser avaliada antes da chegada do bebê. É importante saber o tipo de bico, o tamanho das mamas, a forma correta de posicionar o bebê, massagear as mamas e ordenhar manualmente. Para isso é necessário o acompanhamento de um profissional especialista na área", conclui Kalynny.


Fonte: Jornal Meio Norte