Animais nas ruas deixam moradores em alerta na zona Sul de Teresina

Cachorros e até animais de grande porte são encontrados soltos pelas ruas do conjunto. Moradores temem proliferação de doenças e risco de acidentes

Os moradores dos conjuntos que levam o nome do poeta piauiense Torquato Neto, localizados na zona Sul de Teresina, chamam a atenção para o grande número de animais que andam soltos pelas ruas da região, sobretudo cachorros.

A explicação encontrada por quem mora lá é a questão dos novos moradores que ainda não construíram muros em suas residências; por isso os animais acabam vivendo soltos pelo passeio público.

Embora muitos dos cães pareçam inofensivos, muitas pessoas temem por disseminações de doenças: “O número de cães que se encontra no bairro onde moro é uma quantidade suficiente para disseminar doenças que a gente chama de zoonoses, porque tem transmissão tanto de cães para humanos como de cães para cães também”, explica Mariana Masrua, bióloga e moradora do conjunto.

Para Mariana, a Prefeitura Municipal de Teresina e os outros órgãos responsáveis deveriam atuar no bairro de modo que essa situação não piore ainda mais.

“Seria importante a prefeitura passar a se importar com esse número e desenvolver algum projeto que envolva castração ou uma campanha que envolva a adoção desses cães que estão na rua”, aponta Mariana. A bióloga ressalta a questão da adoção como forma de prevenção e de acolhimento a animais que vivem nas ruas.

“Reforço essa questão da adoção porque tenho dois cães que poderiam estar soltos e abandonados, e eu fiz a minha parte. Hoje eles têm qualidade de vida e não se tornaram vetores de doenças”, afirma Mariana Masrua.

Já para Ébano Andrade, também morador do conjunto Torquato Neto, o grande problema da enorme quantidade de bichos soltos nas ruas é o risco de acidentes. “No Torquato Neto até vaca e boi tem. É um descaso muito grande.

Os proprietários deveriam ser mais responsáveis, porque isso é um verdadeiro crime, pois pessoas podem até morrer em acidentes. É de suma importância fazer o controle desses animais para que eles não fiquem abandonados nas ruas”, diz.

Final do ano tem mais abandono, diz APIPA

De acordo com Daniela Ramos, vice-presidente da Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (APIPA), o número de animais abandonados no período de final de ano chega a triplicar. Isso porque as pessoas viajam e abandonam os animais, ou na rua ou preso nas casas.

"Final de ano tem uma quantidade enorme de abandono, porque as pessoas viajam e descartam os animais nas ruas. Recebemos muitas denúncias neste período, o número é três vezes maior. Se você vai viajar e não tem com quem deixar, é melhor não ter", explica.

Sobre as zoonoses, Daniela acredita que é necessário um forte trabalho de conscientização para que as pessoas cuidem melhor dos animais. "Nós fazemos um trabalho de conscientização, mas isso leva um tempo.

O trabalho que a APIPA vem fazendo é um serviço de saúde pública também", finaliza a vice-presidente. Atualmente, a APIPA, que tem sede na zona Leste, abriga uma média de 80 cães e mais de 200 gatos. Esses animais estão à disposição para a adoção.

FMS não consegue quantificar os animais nas ruas

Segundo Romualdo Spíndola, chefe do núcleo de correição da Fundação Municipal de Saúde (FMS), não é possível afirmar de maneira mais precisa a quantidade de animais nas ruas. "É um número que não conseguimos mensurar, mas chega a mais de 100 animais em alguns bairros", avalia.

Para Romualdo, a raiz do problema é que muitas pessoas querem criar os animais de forma semidomiciliar, o que facilita a reprodução desses animais e o contato destes com enfermidades.

"Os proprietários dos animais querem deixar os animais soltos, de maneira semidomiciar. Não temos esse controle porque o número é muito grande. Das doenças, temos a raiva e o calazar como principais, que podem, inclusive, acometer seres humanos", explica.

Porém, para amenizar o problema, a FMS tem atuado realizando o controle de doenças. "Estamos realizando o controle de leishimaniose e raiva através da coleta de sangue, também temos uma equipe que faz a borrifagem de veneno em áreas que possuem a presença de mosquitos que podem infectar esses animais", finaliza Romualdo Spíndola.

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Fonte: Lucrécio Arrais