ANVISA aponta avanços no congelamento de embriões

Na técnica de congelamento, os espermatozóides são tratados com meios especiais para proteção e congelados em nitrogênio líquido.

Relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aponta que no Brasil mais de 26 mil embriões foram congelados somente no ano de 2011. No Piauí, os dados destacam que 452 embriões foram congelados. O Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio) divulgou, no último dia 13 de dezembro, dados de 77 Bancos de Células e de Tecidos Germinativos (BCTG) distribuídos no país, o que representa um avanço na área de reprodução humana.

Com os avanços da medicina, casais que não conseguem ter filhos e desejam construir uma família, cada vez mais recorrem às técnicas de fertilização assistida que tem como objetivo tentar viabilizar a gestação em mulheres com dificuldades de engravidar. O congelamento de óvulos, por exemplo, vem beneficiando casais que precisam retardar a gravidez por diversos motivos como, por exemplo, nos casos em que um dos dois precisa se submeter a tratamentos contra o câncer.

De acordo com o especialista em reprodução humana, Dr. André Luiz da Costa, as indicações mais comuns do congelamento de óvulos ou do sêmen são direcionadas para mulheres e homens solteiros com pouco menos de 35 anos preocupados com a diminuição progressiva da fertilidade. ?Além disso, pacientes que serão submetidas a tratamento oncológicos, os quais passarão por tratamentos agressivos, como quimioterapia e radioterapia podem antes ter os seus óvulos congelados. Esta técnica é também uma boa alternativa para pessoas que tem histórico familiar de infertilidade e menopausa precoce?, explica.

Na técnica de congelamento, os espermatozóides são tratados com meios especiais para proteção e congelados em nitrogênio líquido, dentro de containers próprios. Desta forma, é possível o congelamento por muito tempo. Existe relato na literatura médica mostrando manutenção do potencial de reprodução mesmo após 21 anos de congelamento.

?A procura é cada vez mais comum até porque algumas mulheres estão deixando para engravidar mais tarde, priorizando outros setores de suas vidas, como o investimento em suas carreiras profissionais.?, ressalta o especialista. O médico ainda destaca a carência de bancos de óvulos para doação, assim, como existe um número maior de banco de sêmens. Neste sentido, as mulheres ainda saem um pouco mais desfavorecidas.

Para a realização da técnica de congelamento, especialistas solicitam que a paciente realize exames de rotina, como o ultrassom e a dosagem hormonal para avaliar se a mulher tem condições de, futuramente, ser indicada para a fertilização in vitro (FIV). Depois de aprovada nos testes preliminares, a futura mãe será submetida ao processo de estimulação feito com hormônios.

A Anvisa aponta que em 2011, 1.322 embriões foram doados para a pesquisa e 33,8 mil transferidos a mulheres. O acumulado de embriões congelados, retirados os descartados, utilizados e os enviados à pesquisa com células-tronco, chegou próximo de 60 mil. A taxa nacional de fertilização registrada foi de 75%, indicando que esse é um caminho viável para os casais que querem ter filhos, mas que por algum motivo, precisam adiar esse momento.

Fonte: Ícone