Aos 99 anos, irmã de Lampião recebe visita de parentes em São Paulo

Ao todo, o encontro reuniu mais de 20 descendentes de pelo menos três gerações do cangaceiro

Um grupo de nove parentes de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, veio do Recife para São Paulo, na semana passada, para visitar a única irmã viva do Rei do Cangaço, Maria Ferreira Queiroz, conhecida como dona Mocinha. O encontro foi realizado no domingo (5), no Centro de Tradições Nordestinas (CTN).

Ao todo, o encontro reuniu mais de 20 descendentes de pelo menos três gerações do cangaceiro. O último encontro da família havia ocorrido em Pernambuco, em 1997. Só que, daquela vez, foi dona Mocinha que viajou para rever os parentes. Em São Paulo, ela vive em um apartamento, no bairro de Santana, com os filhos Expedito e Valdeci.

Desta vez, o plano da viagem foi anunciado em um almoço de família, na capital pernambucana, no fim de maio. O passeio por terras paulistanas vai durar até este sábado (11), quando o grupo retorna para casa. Nos intervalos das visitas para dona Mocinha, os pernambucanos não perderam a oportunidade de conhecer pontos turísticos de São Paulo, como o Mercado Municipal, além de fazer compras na Rua 25 de Março.

Segundo Sandra Queiroz, neta de dona Mocinha, o objetivo da viagem foi fazer uma confraternização familiar. "Queremos passar nossa história para os mais jovens da família. Queremos que as gerações mais novas da família conheça a avó e possa conhecer de perto uma outra face de Lampião?, disse Kátia Queiroz.

Dona Mocinha, apesar de estar gripada, não recusou o convite para o reencontro e seguiu para o CTN. "Nunca imaginei que faria um passeio desse. Eu gostei", disse a atual matriarca da família de Lampião.

Saudades

A cada reencontro com os sobrinhos, netos, bisnetos e tataranetos, dona Mocinha abria um sorriso no rosto. Quando a memória lhe faltava, ela perguntava objetivamente de quem se tratava a pessoa que estava abraçando. "Eu estava gripada, mas fiquei boa hoje só para reencontrar minha família. Só não fazia ideia que era tanta gente."

Apesar da gripe, ela suportou com força de menina o encontro, que durou cerca de quatro horas. É justamente a idade de dona Mocinha que pautou algumas rodas de conversa entre os parentes viajantes. O documento de identidade da irmã de Lampião indica que ela nasceu em 8 de janeiro de 1906, portanto, ela teria 102 anos, mas ela se recusa a afirmar que tenha essa idade, e não é por vaidade. "Eu tenho 90 anos", disse ela em um primeiro momento. Logo em seguida, ela buscou mais fundo na memória e disse ter os 99 anos. "Completo 100 anos em 2010", afirmou a matriarca.

O irmão "Rei do Cangaço"

Dona Mocinha diz que não lembra do irmão como cangaceiro e nem sabe nada sobre o movimento, pois era muito pequena quando ele entrou no cangaço. Lampião e Maria Gomes de Oliveira, a Maria Bonita, morreram em 28 de julho de 1938, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), durante uma emboscada montada pela volante (polícia) da época. Os dois se tornaram mitos da história brasileira.

À época do assassinato deles, dona Mocinha teria, pelas contas dela mesma, 28 anos, e pouco contato com o irmão. "Só me lembro de ter encontrado com ele uma vez depois que ele saiu de casa."

Lampião nasceu em 4 de junho de 1898, no sítio Passagem das Pedras, em Serra Talhada. Criado entre 1908 e 1912, segundo registros de historiadores, o cangaço existiu até 1940.

Alguns pesquisadores dizem que Lampião circulou apenas pelo sertão, mas outros afirmam que os cangaceiros deixaram pegadas pelo agreste. O certo é que Lampião não foi o criador do cangaço, mas sim Sebastião Pereira da Silva, o único chefe do Rei do Cangaço, conhecido como Sinhô Pereira.

Fonte: g1, www.g1.com.br