Crianças brincam em esgotos na zona Sudeste de Teresina

Crianças brincam em esgotos na zona Sudeste de Teresina

Um conjunto de galerias a céu aberto é considerado o maior pesadelo dos moradores da Vila Andaraí, zona Sudeste de Teresina. A água suja, repleta de dejetos e lixo, atravessa os terrenos das casas, deixando os moradores sujeitos a diversos tipos de enfermidades. Durante o período chuvoso, o lixo entope os canos, provocando enchentes que tiram muitos moradores de suas casas. Mas enquanto quem trabalha e vive por ali teme pelo próprio patrimônio, crianças encontram nas águas poluídas do esgoto uma diversão nada saudável: catar peixes das águas imundas.

A água podre que desemboca da galeria possui um cheiro nauseante. O local é um viveiro de moscas, ratos e outras pragas. Neste mesmo cenário, as crianças aproveitam o fluxo da água para catar peixes. “A gente não come, não, só bota num aquário”, diz um dos garotos com um litro de garrafa pet pela metade, cheio de peixes pequeno. “Quando eu chego em casa eu tomo banho, não tem negócio de doença não”, dispara outro dos meninos. Esta galeria fica localizada na Rua 6, quadra D, exatamente ao lado da casa de Francisco Paiva Lima, atual presidente da associação dos moradores da Vila Andaraí. Assistindo a cena, Francisco diz que esses garotos não são da localidade: “Eles são de outro bairro, mas vêm sempre para cá”, diz.

Além de presidente da associação dos moradores, Francisco também é delegado do Orçamento Popular. De acordo com os documentos mostrados por ele à reportagem, já está nos planos da prefeitura uma revitalização das galerias da Vila, com um investimento de R$ 100 mil. “Nós queremos uma galeria fechada, toda tubulada a partir deste investimento”, disse Francisco. Mas por enquanto as obras estão apenas no papel. “Estamos cobrando que isso seja feito o mais rápido possível pela SDU”, ressalta.

Alagamentos desvalorizam imóveis

Do lado esquerdo da galeria onde as crianças faziam a pescaria, quem não está nada satisfeito com a situação é o comerciante João Benício de Oliveira, de 54 anos, que inclusive vendeu o comércio em que trabalhava por não aguentar mais as inundações e o mau cheiro do lugar. Seus negócios também são prejudicados: “Prejudica muito, porque quando chove alaga tudo e as pessoas saem das casas, só voltam quando acaba o inverno”, diz o morador.

Por perto, algumas casas também estão à venda. A água da galeria ladeia muitas das casas da região, atravessando terrenos e comprometendo a estrutura de outras casas, inclusive da rua por trás da residência de Francisco e do comércio de João. Luis do Nascimento Silva, de 33 anos, também comerciante, afirma que o medo pela chegada do período chuvoso acontece todos os anos: “Muita gente vem aqui desesperada. Nos tempos do inverno, aqui é um sufoco”, relata. Enquanto contava a situação, Luis mostrou as rachaduras no chão, próximas à parede que fica ao lado de mais um trecho percorrido pelas águas da galeria.

Lixo aumenta problema de galeria

Além da falta de infraestrutura, o presidente da Associação de Moradores da Vila Andaraí, Francisco Paiva Lima, elenca outros fatores. Para ele, o problema da galeria é responsabilidade não só da prefeitura, mas também dos moradores. Francisco diz que jogam muito lixo nas redondezas, e isso acaba por entupir os encanamentos das galerias, que percorrem as casas. O desmatamento da região também foi uma das causas levantadas por ele: “Tem um cano grande no meio que já foi entupido com troncos de pé de manga, por isso que a água sobe”, relata.

“O maior problema do bairro é a galeria, porque as pessoas estão aterrando ela com lixo, e isso aumenta o volume e água transborda”, afirma. A reportagem procurou a Superintendência de Desenvolvimento Urbano da região Sudeste de Teresina, que justificou que estes recursos que Francisco falou já estão assegurados, mas as obras ainda não começaram por questões burocráticas. Apesar da liberação dos recursos, ainda é necessária a licitação que elegerá a empresa responsável por esta empreitada.




Fonte: CAROLINA DURÃES E LUCRÉCIO ARRAIS