Pai acusa a Apae de negligência após o filho autista fugir e morrer

Pai acusa a Apae de negligência após o filho autista fugir e morrer

O menino foi encontrado sem vida poucas horas depois de sair do local, dentro de um valo com água.

Uma criança de nove anos com autismo morreu no Litoral Norte do Rio Grande do Sul depois de desaparecer da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), escola que frequentava no município de Terra de Areia. A família acredita que ele possa ter fugido. O menino foi encontrado sem vida poucas horas depois de sair do local, dentro de um valo com água.

O velório, na manhã desta quinta-feira (3), foi marcado por comoção e revolta. Os parentes buscam explicações para o que aconteceu, como mostra reportagem do Jornal do Almoço (veja no vídeo ao lado).

O garoto desapareceu no início da tarde de quarta-feira (2). "Até agora eu não entendi como ele conseguiu fugir. Na minha impressão, foi negligência, falta de atenção com ele. Eu vou mover montanhas para saber exatamente o que houve", disse o pai do menino, Eduardo Thomassin. "O pátio da Apae é todo aberto. Não tem uma cerca, só um portão. Para mim, não oferecia segurança nenhuma. Claro, é mais fácil de cuidar os alunos maiores, mas e os pequenos que nem o meu? Em um piscar de olhos, ele fugiu", completou.

Para o avô da criança, há falhas na cerca do entorno do prédio da escola. Em uma parte, o arame está totalmente levantado e até mesmo uma pessoa adulta consegue passar por ali. A criança percorreu cerca de 500 metros, no meio do mato, e caiu em um buraco com água.

Assim que soube do sumiço, a família começou uma busca desesperada. O pai e o irmão mais velho encontraram o corpo da criança no fim da tarde. "Meu guri me disse: "olha pai, o tênis dele aqui". Estava bem na entrada do valo, onde a terra é mais mole", contou o pai. A criança foi encontrada afogada sob uma árvore.

A Apae admite que a porta da frente estava aberta. A direção não quis se manifestar e designou um estagiário para falar com a reportagem. "Todas as medidas que nós achamos necessárias, de segurança, a qualquer aluno, nós tomamos", declarou Israel Souza da Silva. O corpo do menino será enterrado às 16h.


Após desaparecer de Apae, criança com autismo é encontrada morta

Fonte: G1