Após disputa, Sean e o pai deixam o Brasil com destino aos Estados Unidos

A família brasileira do garoto o entregou logo cedo ao pai, após determinação da Justiça, e eles embarcaram por volta das 11h40

 O menino Sean, 9, e o pai --o americano David Goldman-- deixaram o Brasil na manhã desta quinta-feira com destino aos Estados Unidos, após uma disputa familiar que durou cinco anos.

A família brasileira do garoto o entregou logo cedo ao pai, após determinação da Justiça, e eles embarcaram por volta das 11h40 em um avião fretado, no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão). A família materna de Sean o levou ao consulado dos Estados Unidos no Rio por volta das 8h30, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a devolução imediata da criança. Segundo o advogado da família brasileira, a avó materna, Silvana Bianchi, foi impedida de acompanhá-lo no voo.

"Tentei de todas as formas fazer com que a avó embarcasse para dar conforto ao menino, mas o governo americano vetou e o governo brasileiro aceitou essa situação", afirmou o advogado Sergio Tostes, que representa a família materna de Sean. O consulado, porém, nega a informação e disse que não recebeu nenhum pedido para que ela embarcasse no avião.

O órgão informou ainda que o voo não foi fretado pelo governo dos Estados Unidos, e disse não ter informações sobre quem teria pago pelo avião. Ontem, a avó materna disse que estava disposta a ir com o neto para os Estados Unidos no mesmo voo. Segundo ela, Sean está abalado, não quer viajar, e que recebe cuidados médicos.

A criança chegou ao consulado acompanhada da avó, do padrasto, João Paulo Lins e Silva, e de outros familiares, usando uma camisa da seleção brasileira. Pouco antes da chegada da família, a porta-voz da Embaixada americana, Orna Blum, afirmou que o órgão iria permitir a entrada dos brasileiros no consulado, para evitar uma despedida brusca entre a criança e os familiares.

"Vamos facilitar ao máximo possível para que a transição seja menos traumática para o menino", disse. Para evitar tumultos, o consulado isolou a área pela manhã e preparou um esquema de segurança especial.

A entrega ocorre após decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que decidiu cassar a liminar que permitia a permanência da criança no Brasil. Tostes, que representa a família brasileira, afirmou que não recorreria da decisão, mas que tentaria um acordo para uma transição "menos traumática" para o menino.

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Nascido nos EUA, Sean veio ao Brasil em 2004 com a mãe, Bruna Bianchi. Desde então David Goldman tenta levar o filho de volta com base na Convenção de Haia sobre sequestro internacional de crianças. Com a morte de Bruna, em 2008, a batalha judicial passou a ser travada entre o americano e o segundo marido da mãe, o advogado João Paulo Lins e Silva.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br