Após transplante, menino com doença rara recebe alta médica

Após transplante, menino com doença rara recebe alta médica

Menino de 1 ano foi diagnosticado com doença que "tira" imunidade.

Após o sucesso no transplante de medula, o menino Guilherme Mezabara, de 1 ano, recebeu alta do hospital onde estava internado, em São Paulo. Segundo o pai do menino, Luís Cláudio, a família está agora em um flat na cidade, já que eles ainda precisam comparecer três vezes por semana ao hospital.

"A gente diz que é uma liberdade condicional", brincou Luís. "Vamos ficar ainda 100 dias em São Paulo, e depois já podemos ter alta e voltar para o Rio. Ele colocou um novo catéter, porque ele ainda tem que ser muito bem monitorado", explicou.

A mãe do menino, Adriana Mezabara, escreveu no blog dedicado ao filho que a notícia da previsão de alta havia sido dada no último fim de semana. "Mas confesso que fiquei paralisada. Como assim?! Sair daqui?! Do ar filtrado, da completa higiene, dos vidros lacrados?! É um misto de alegria e apreensão!", postou Adriana.

Transplante de medula

Guilherme Mezabara fez um transplante de medula óssea em um hospital em São Paulo em 21 de outubro e segue em tratamento quimioterápico. A granulomatosa crônica faz com que a criança não tenha nenhuma imunidade a bactérias e fungos, o que significa que ele não pode ficar exposto, porque não tem defesas.

Guilherme e os pais aguardavam a operação desde que a doença foi descoberta, quando o menino tinha sete meses. A notícia de um doador compatível surgiu quatro meses depois, do banco internacional. A medula de um alemão era compatível com o bebê.

O transporte foi feito de avião, chegando na sexta-feira ao hospital. No dia 8 de novembro, os pais do pequeno Guilherme comemoraram o sucesso do transplante de medula do filho.

"A medula pegou!!!!!", escreveu a mãe do menino no blog, 18 dias depois da realização do transplante. A quantidade de remédios que Guilherme precisa tomar, no entanto, ainda assusta. Segundo Luís, são 18 seringas por dia, com antibióticos e imunossupressores.

"Fui na farmácia e não consegui comprar a quantidade de seringas que precisava. São 18 por dia, descartáveis. Falei que precisava de muitas seringas. A vendedora me perguntou: "cinco seringas, mais ou menos?" Respondi: "não, umas 50". Não tinha no estoque. Estamos comprando aos poucos".

 


 Guilherme ainda está se adaptando à nova casa. "Ele chegou e ficou excitadíssimo. É tudo diferente. Está brincando muito. Agora temos que organizar o horário de dormir. Lá (no hospital) ele dormia muito pouco.

Dá aquela sensação de que está melhorando. Psicologicamente é muito melhor", comemorou, aliviado, Luís Cláudio. Guilherme estava no hospital em um quarto completamente isolado, no setor de transplantes, com filtragem de ar e cuidados especiais de assepsia. Durante a internação do filho, Luis Cláudio e Adriana entraram num esquema de plantão para ficar ele.

Alugaram um apartamento perto do hospital, onde se revezam para dormir, cada um uma noite, enquanto o outro fica no hospital com Guilherme. Durante o dia, os dois fazem companhia a ele no quarto. Agora, os dois pretendem retomar uma rotina mais normal, já com o filho em casa. E aguardar a autorização médica para voltar ao Rio de Janeiro.

"Mesmo aqui não sendo nossa casa, é melhor até pra ele. Ao mesmo tempo que dá um alívio, nos dá uma segurança o fato da gente sair. Dá uma respirada", disse.

Fonte: g1, www.g1.com.br